sábado, junho 17, 2006

 

O Espírita e a Necessidade de Novidade

O Espírita e a Necessidade de Novidade.

Temos acompanhado com interesse o empenho dos espíritas em comprovar por meios científicos a Doutrina Espírita. Precisamos no entanto fazer alguns reparos: embora a Doutrina Espírita seja de cunho científico não é ciência pura como querem alguns e não será pela física quântica ou pelos meios matemáticos que se poderá conceber a atividade mediúnica, ou mesmo os acometimentos espirituais tão comuns nos Centros Espíritas.
Outro ponto a ser observado é o fato de alguns dos nossos cientistas contemporâneos embora com o conhecimento de relevantes trabalhos de cientistas do passado sempre desenvolvido em meio à assistência dos Centros Espíritas da época, querem fazer esse desenvolvimento de forma recatada e recolhida com o escopo de que os trabalhadores das casas espíritas não têm condição de entender o que irá ser estudado.
Como será então essa nova ciência espírita? Sem Espíritos, e se com eles quem os intermediará? Sim, porque se o cientista está estudando não pode fazê-lo e intermediar o Espírito.
A Doutrina Espírita é de fato uma Ciência, a que veio com o auxilio dos Espíritos trazer uma nova luz sobre a Terra. Mas, não essa ciência que conhecemos embora se faça auxiliar da metodologia desta.
Sabe-se que o fenômeno mediúnico não pode ser garantido e agendado por nós como certos, pois os Espíritos não se prestam a isso. Por isso é que ela se diferencia da Ciência. Precisamos estar atentos e nos preparar estudando a Doutrina para quando em nossos trabalhos de intercambio mediúnico ocorram fatos possamos deduzir e estabelecer novas leis que nos trazem a espiritualidade. Ou, mesmo, estudar casos de pessoas que sentem de forma humilhante e doentia a intervenção dos espíritos desencarnados. Com tais procedimentos libertar essas pessoas pelo esclarecimento dos espíritos bem como de provocar uma reflexão na pessoa acometida dos males dessa interação muito comum e mesmo natural, que precisamos aprender a ter domínio.
Os cientistas alinhados nessa linha de pesquisa precisam ser isentos de idéia pré-concebida, e ter aprumo e firmeza para não se deixar enganar pela condição natural do médium muito influenciado pela leitura de romance poético e salvacionista, que nada elucida, para não formarem idéia errônea do que observam.
Precisam acima de tudo além de conhecer a Doutrina Espírita conhecer todos os trabalhos desenvolvidos na área do sofrimento humano de que vão estudar. Saberem que assim como os médiuns são intermediários e não representantes dos espíritos que tratam disto, além de ter espírito crítico suficiente para poder contestar e até mesmo discordar do que lhe vem pelos espíritos. Caso contrario estaremos criando mais um misticismo, uma religião crente em tudo que advenha do mundo espiritual, justamente o que se propõe combater a Doutrina Espírita.
Tenhamos pois cuidado com mas novidades e acima de tudo sejamos previdentes com nosso próprio juízo para não cometermos os mesmo equívocos do passado. Precisamos entender que não podemos analisar as pessoas e os espíritos pela aparência ou por uma simples fala de boa noite.
Todo assunto deve ser seriamente estudado mas não se perderem em estudo vazio como o de resolver problemas existenciais de maneira particularizada e querer que isto se torne Doutrina.
É preciso pesquisar mas ainda é mais necessário entender o que já temos como herança de Kardec, que ainda não dominamos nem conhecemos profundamente.
Estudemos pois todo o acervo que temos e paralelamente se tiverem condições desenvolva o conhecimento com o auxilio do seu conhecimento cientifico.
Falta aliás espíritas e dirigentes sérios que se proponham a descortinar novos horizontes sem a necessidade de fazer dinheiro, e muito menos de promoção pessoal.

Luiz G. Scalzitti
lgscalzitti@feal.com.br

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