sábado, agosto 04, 2007
ANTE A QUESTÃO DO ABORTO
ANTE A QUESTÃO DO ABORTO
Antônio Baracat
Professor de Filosofia e História pela UFMG
Mestrando em Filosofia pela UFMG
antonio.baracat@ig.com.br - Belo Horizonte-MG
Segundo dados do Governo Federal, a questão dos abortamentos tornou-se um problema de saúde pública, pois no Brasil são realizados por ano cerca de 1 milhão e 200 mil abortos clandestinos, gerando vários transtornos, como a morte precoce de mulheres (alguns milhares), a esterilização de mais de 25% das abortantes (cerca de 300 mil), além das vultosas despesas para o Sistema Único de Saúde (já que 70% dos abortos são a quarta causa de internações femininas nos Serviços de Urgência e Emergência). Portanto, de acordo com a posição governamental, considera-se que é chegado o momento de se discutir a legalização do aborto, do mesmo modo que a Europa, o México, os Estados Unidos e outros países o fizeram, ao longo dos anos.
Os abortos são feitos clandestinamente, pois as mulheres que os praticam são ameaçadas de condenação criminal, nos termos do Decreto-Lei n.° 2.848, de 7 de dezembro de 1940, que diz que o "aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento" será punido com "detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos". Neste sentido, recentemente, no dia 08/05/2007, numa terça-feira, à tarde, foi feito um Manifesto em Brasília por vários religiosos, inclusive Federações Espíritas, e entregue ao Vice-Presidente da República, no qual se defendeu a manutenção da situação atual e a condenação de qualquer discussão sobre a legalização do aborto.
Meditando sobre a questão, cheguei às seguintes conclusões: sou contra o aborto e acredito que todo espírita também o seja. No entanto, entre a minha convicção pessoal e a realidade que se desenrola dramaticamente na sociedade, existe um verdadeiro abismo a ser transposto. É muito cômodo condenar as mulheres que abortam, sem assumir-se um compromisso efetivo com a situação, ou seja, sem ao menos compartilhar com elas as dificuldades que as levam a este ato extremo. Se existisse em todo o País uma estrutura de acolhimento para as crianças cujas mães desistissem do aborto, mas não se dispusessem a criá-las, sem dúvida nenhuma, o número de abortos diminuiria sensivelmente. Mas hoje, quando mais da metade da população economicamente ativa não tem sequer emprego regular (e 80% dos que têm emprego recebem entre um e dois salários-mínimos de míseros R$ 380,00), ainda estamos longe deste ideal de acolhimento das crianças enjeitadas, pois somos uma sociedade muito excludente e perversa.
Em todo o caso, ao invés de engrossar o coro do fanatismo religioso, os espíritas poderiam desenvolver melhores esforços para se evitar o aborto do que apenas defender a criminalização de sua prática e cruzar os braços. E urgente, por exemplo, o aprofundamento da educação sexual de modo que as pessoas - sobretudo as mais jovens - se previnam da gravidez, se não a desejam. Para isso, a única prevenção absolutamente segura exige abstinência sexual, o que é para poucos, pois manter atividade sexual tornou-se uma espécie de direito indeclinável para quase toda a humanidade. Porém acredito que exercer algum controle sobre a sexualidade -variável para cada grau de evolução -representa meta de ascensão espiritual. Por isso, não convém se entregar ao intercâmbio sexual, sem a regência do sentimento.
Conquanto, para muita gente, a afeição justifique a interação sexual, uma pequena minoria requisita de si mesmo um elemento a mais, que se pode resumir através da palavra compromisso. Portanto, além do carinho, da simpatia ou do amor que o atrai na direção da outra pessoa, o indivíduo mais maduro estabelece em sua própria consciência o dever de arcar com toda e qualquer conseqüência que advenha do intercurso sexual.
Deste modo, o relacionamento sexual de um sujeito mais sensato se mostraria uma iniciativa envolvendo afeto e comprometimento. Andaria no mundo, sem ser do mundo. Veria as inúmeras complicações que as criaturas se envolvem por conta do prazer sexual desavisado e elegeria a porta estreita da renúncia e da fidelidade. Numa época em que a sexolatria impera e o erotismo campeia desbragado, o espírita verdadeiro destoaria da grande massa, pois o discípulo do Evangelho deve sempre analisar, ponderar e escolher a atitude prudente de evitar o contato sexual, a menos que exista afeto e somente quando já lhe seja possível assumir uma eventual gravidez, ainda que não desejada.
Além do domínio sobre a atividade sexual, a segunda contribuição que podemos oferecer é amar os nossos filhos sem queixas pelo trabalho que a manutenção ou a formação deles reclama de nossas forças e de nosso tempo. É imprescindível amá-los com alegria. Declarar de cima dos telhados a nossa gratidão por essa tarefa bendita. Seja qual for a dificuldade, seja qual for o problema, seja qual for a angústia que, por causa deles, venhamos a experimentar, a cada dia renovaremos nossa disposição e nosso carinho. Antes de tudo, nós os aceitamos quais são, depois os educaremos, pacientemente, tendo em vista que aprendemos com Kardec a primeiro amar e, só então, instruir. Desta maneira, nós demonstraremos aos vacilantes em tomar o fardo da progenitura que, de fato, vale a pena ser pai/mãe, já que o júbilo e a amizade permanecem acima de todas as aflições e aborrecimentos.
A terceira contribuição que nos caberia é a de não compactuar com a realização de qualquer abortamento, mas nunca nos confundirmos com outros segmentos religiosos, ao ponto de assumirmos a posição de algozes das que recorrem ao aborto. Advertir e esclarecer qualquer um que nos cruze os passos abrigando tal objetivo, destacando os aspectos positivos e sublimes da pater/maternidade. Quem sente amor pelos filhos, pelas crianças, pelo próximo pode contagiar a pessoa que hesita ou que se dispõe ao gesto infeliz, insuflando-lhe coragem, esperança ou resignação.
Assim, não devemos incriminar os que cometem a sandice de matar o próprio filho. Existe loucura maior do que esta? Exterminar uma criatura indefesa, a quem se deveria amar incondicionalmente, no próprio ventre? Só uma pessoa transtornada e inconsciente de si mesma e da venturosa missão familiar perpetra ato tão abominável. Diante dessa atitude alienada, não é lícito ao espírita o uso do açoite ou da punição. Basta ao doente a loucura em si mesma. Ou haveremos de transferir todos os dementes para as penitenciárias? Pelo contrário, é necessário tratá-los, cuidando de suas perturbações. E é bom lembrar que em momento algum Jesus se aliou aos condenadores, mesmo quando alicerçados no direito vigente. Segundo a legislação dos judeus, a mulher adúltera deveria ser apedrejada. Era a lei! Jesus, no entanto, recomenda que atire a primeira pedra aquele que esteja sem pecado. O discípulo do Evangelho está convocado para implantar a lei do perdão nas consciências. E para isso deve ter presente a dor de milhões de fetos, cujo choro não chega a ser emitido, arrancados violentamente das entranhas maternas. Mas acrescente-se que incriminar o aborto significa conformar-se com a injustiça, porque se condenaria, freqüentemente, a mulher e, bastas vezes, o homem é o principal responsável, ora pela indução, ora pelo abandono.
O Movimento Espírita deve ser contra o aborto e trabalhar ativamente para reduzi-lo entre os espíritas ou naqueles que freqüentam suas atividades. Em especial, preparando e direcionando orientadores para dialogar com jovens e adolescentes sobre a sexualidade. É recomendável ter um discurso isento de preconceitos e de expectativas exaltadas de sublimação, incompatíveis com o grau evolutivo do ser humano ou da fase cultural em que vivemos. Os espíritas podemos e devemos ter alguma iniciativa para minorar esta tragédia planetária, mas que passe muito longe de acentuar o remorso - esses pais faltosos irão despertar um dia e aí deles, pois muitos ressecarão suas potencialidades germinadoras ou lesionarão gravemente seus próprios órgãos reprodutivos, arcando com as conseqüências no périplo reencarnatório. Precisamos nutrir compaixão por eles e não sentenciá-los. Imaginemos se Jesus se juntaria, hoje, com os fomentadores de culpa! "Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amara mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem." (Lucas, 7:40-43).
Ser contra o aborto é fácil. O desafio é realizar algum trabalho de prevenção ou de assistência em favor dos que estão a caminho ou cometeram tal ato. Neste sentido, pergunto o que é pior: matar o próprio filho, num surto de insanidade espiritual, ou incriminar esta loucura, dispondo de uma razão lúcida? Por isso, independentemente da legalização ou não do aborto no Brasil, é preciso tratar o assunto em outra esfera que não a criminal, como atualmente é feito. E para isso é preciso que os espíritas se debrucem sobre o tema, formulem suas propostas e desenvolvam suas ações, afastando-se de vez do fanatismo com que outros segmentos religiosos tratam a questão. É necessário que os espíritas tenham consciência de que, neste mundo tão carente de valores morais adequados a boa evolução das criaturas, é da religião que deve vir este insumo. Por isso, nada justifica que se anule a criação de uma identidade própria misturando-se com concepções ameaçadoras como as dos segmentos cristãos que querem excomungar as autoridades empenhadas na descriminalizaçáo do aborto. Definitivamente, é preciso dar um basta aos que usam e abusam do poder sagrado (religioso) para perseguir e condenar os que pensam ou agem diferentemente de suas opiniões.
Fonte: Jornal da Mediunidade – Uberaba – M.G.
e-mail: jmediunidade@terra.com.br
Antônio Baracat
Professor de Filosofia e História pela UFMG
Mestrando em Filosofia pela UFMG
antonio.baracat@ig.com.br - Belo Horizonte-MG
Segundo dados do Governo Federal, a questão dos abortamentos tornou-se um problema de saúde pública, pois no Brasil são realizados por ano cerca de 1 milhão e 200 mil abortos clandestinos, gerando vários transtornos, como a morte precoce de mulheres (alguns milhares), a esterilização de mais de 25% das abortantes (cerca de 300 mil), além das vultosas despesas para o Sistema Único de Saúde (já que 70% dos abortos são a quarta causa de internações femininas nos Serviços de Urgência e Emergência). Portanto, de acordo com a posição governamental, considera-se que é chegado o momento de se discutir a legalização do aborto, do mesmo modo que a Europa, o México, os Estados Unidos e outros países o fizeram, ao longo dos anos.
Os abortos são feitos clandestinamente, pois as mulheres que os praticam são ameaçadas de condenação criminal, nos termos do Decreto-Lei n.° 2.848, de 7 de dezembro de 1940, que diz que o "aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento" será punido com "detenção, de 1 (um) a 3 (três) anos". Neste sentido, recentemente, no dia 08/05/2007, numa terça-feira, à tarde, foi feito um Manifesto em Brasília por vários religiosos, inclusive Federações Espíritas, e entregue ao Vice-Presidente da República, no qual se defendeu a manutenção da situação atual e a condenação de qualquer discussão sobre a legalização do aborto.
Meditando sobre a questão, cheguei às seguintes conclusões: sou contra o aborto e acredito que todo espírita também o seja. No entanto, entre a minha convicção pessoal e a realidade que se desenrola dramaticamente na sociedade, existe um verdadeiro abismo a ser transposto. É muito cômodo condenar as mulheres que abortam, sem assumir-se um compromisso efetivo com a situação, ou seja, sem ao menos compartilhar com elas as dificuldades que as levam a este ato extremo. Se existisse em todo o País uma estrutura de acolhimento para as crianças cujas mães desistissem do aborto, mas não se dispusessem a criá-las, sem dúvida nenhuma, o número de abortos diminuiria sensivelmente. Mas hoje, quando mais da metade da população economicamente ativa não tem sequer emprego regular (e 80% dos que têm emprego recebem entre um e dois salários-mínimos de míseros R$ 380,00), ainda estamos longe deste ideal de acolhimento das crianças enjeitadas, pois somos uma sociedade muito excludente e perversa.
Em todo o caso, ao invés de engrossar o coro do fanatismo religioso, os espíritas poderiam desenvolver melhores esforços para se evitar o aborto do que apenas defender a criminalização de sua prática e cruzar os braços. E urgente, por exemplo, o aprofundamento da educação sexual de modo que as pessoas - sobretudo as mais jovens - se previnam da gravidez, se não a desejam. Para isso, a única prevenção absolutamente segura exige abstinência sexual, o que é para poucos, pois manter atividade sexual tornou-se uma espécie de direito indeclinável para quase toda a humanidade. Porém acredito que exercer algum controle sobre a sexualidade -variável para cada grau de evolução -representa meta de ascensão espiritual. Por isso, não convém se entregar ao intercâmbio sexual, sem a regência do sentimento.
Conquanto, para muita gente, a afeição justifique a interação sexual, uma pequena minoria requisita de si mesmo um elemento a mais, que se pode resumir através da palavra compromisso. Portanto, além do carinho, da simpatia ou do amor que o atrai na direção da outra pessoa, o indivíduo mais maduro estabelece em sua própria consciência o dever de arcar com toda e qualquer conseqüência que advenha do intercurso sexual.
Deste modo, o relacionamento sexual de um sujeito mais sensato se mostraria uma iniciativa envolvendo afeto e comprometimento. Andaria no mundo, sem ser do mundo. Veria as inúmeras complicações que as criaturas se envolvem por conta do prazer sexual desavisado e elegeria a porta estreita da renúncia e da fidelidade. Numa época em que a sexolatria impera e o erotismo campeia desbragado, o espírita verdadeiro destoaria da grande massa, pois o discípulo do Evangelho deve sempre analisar, ponderar e escolher a atitude prudente de evitar o contato sexual, a menos que exista afeto e somente quando já lhe seja possível assumir uma eventual gravidez, ainda que não desejada.
Além do domínio sobre a atividade sexual, a segunda contribuição que podemos oferecer é amar os nossos filhos sem queixas pelo trabalho que a manutenção ou a formação deles reclama de nossas forças e de nosso tempo. É imprescindível amá-los com alegria. Declarar de cima dos telhados a nossa gratidão por essa tarefa bendita. Seja qual for a dificuldade, seja qual for o problema, seja qual for a angústia que, por causa deles, venhamos a experimentar, a cada dia renovaremos nossa disposição e nosso carinho. Antes de tudo, nós os aceitamos quais são, depois os educaremos, pacientemente, tendo em vista que aprendemos com Kardec a primeiro amar e, só então, instruir. Desta maneira, nós demonstraremos aos vacilantes em tomar o fardo da progenitura que, de fato, vale a pena ser pai/mãe, já que o júbilo e a amizade permanecem acima de todas as aflições e aborrecimentos.
A terceira contribuição que nos caberia é a de não compactuar com a realização de qualquer abortamento, mas nunca nos confundirmos com outros segmentos religiosos, ao ponto de assumirmos a posição de algozes das que recorrem ao aborto. Advertir e esclarecer qualquer um que nos cruze os passos abrigando tal objetivo, destacando os aspectos positivos e sublimes da pater/maternidade. Quem sente amor pelos filhos, pelas crianças, pelo próximo pode contagiar a pessoa que hesita ou que se dispõe ao gesto infeliz, insuflando-lhe coragem, esperança ou resignação.
Assim, não devemos incriminar os que cometem a sandice de matar o próprio filho. Existe loucura maior do que esta? Exterminar uma criatura indefesa, a quem se deveria amar incondicionalmente, no próprio ventre? Só uma pessoa transtornada e inconsciente de si mesma e da venturosa missão familiar perpetra ato tão abominável. Diante dessa atitude alienada, não é lícito ao espírita o uso do açoite ou da punição. Basta ao doente a loucura em si mesma. Ou haveremos de transferir todos os dementes para as penitenciárias? Pelo contrário, é necessário tratá-los, cuidando de suas perturbações. E é bom lembrar que em momento algum Jesus se aliou aos condenadores, mesmo quando alicerçados no direito vigente. Segundo a legislação dos judeus, a mulher adúltera deveria ser apedrejada. Era a lei! Jesus, no entanto, recomenda que atire a primeira pedra aquele que esteja sem pecado. O discípulo do Evangelho está convocado para implantar a lei do perdão nas consciências. E para isso deve ter presente a dor de milhões de fetos, cujo choro não chega a ser emitido, arrancados violentamente das entranhas maternas. Mas acrescente-se que incriminar o aborto significa conformar-se com a injustiça, porque se condenaria, freqüentemente, a mulher e, bastas vezes, o homem é o principal responsável, ora pela indução, ora pelo abandono.
O Movimento Espírita deve ser contra o aborto e trabalhar ativamente para reduzi-lo entre os espíritas ou naqueles que freqüentam suas atividades. Em especial, preparando e direcionando orientadores para dialogar com jovens e adolescentes sobre a sexualidade. É recomendável ter um discurso isento de preconceitos e de expectativas exaltadas de sublimação, incompatíveis com o grau evolutivo do ser humano ou da fase cultural em que vivemos. Os espíritas podemos e devemos ter alguma iniciativa para minorar esta tragédia planetária, mas que passe muito longe de acentuar o remorso - esses pais faltosos irão despertar um dia e aí deles, pois muitos ressecarão suas potencialidades germinadoras ou lesionarão gravemente seus próprios órgãos reprodutivos, arcando com as conseqüências no périplo reencarnatório. Precisamos nutrir compaixão por eles e não sentenciá-los. Imaginemos se Jesus se juntaria, hoje, com os fomentadores de culpa! "Simão, uma coisa tenho a dizer-te. Dize-a, Mestre.
Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amara mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem." (Lucas, 7:40-43).
Ser contra o aborto é fácil. O desafio é realizar algum trabalho de prevenção ou de assistência em favor dos que estão a caminho ou cometeram tal ato. Neste sentido, pergunto o que é pior: matar o próprio filho, num surto de insanidade espiritual, ou incriminar esta loucura, dispondo de uma razão lúcida? Por isso, independentemente da legalização ou não do aborto no Brasil, é preciso tratar o assunto em outra esfera que não a criminal, como atualmente é feito. E para isso é preciso que os espíritas se debrucem sobre o tema, formulem suas propostas e desenvolvam suas ações, afastando-se de vez do fanatismo com que outros segmentos religiosos tratam a questão. É necessário que os espíritas tenham consciência de que, neste mundo tão carente de valores morais adequados a boa evolução das criaturas, é da religião que deve vir este insumo. Por isso, nada justifica que se anule a criação de uma identidade própria misturando-se com concepções ameaçadoras como as dos segmentos cristãos que querem excomungar as autoridades empenhadas na descriminalizaçáo do aborto. Definitivamente, é preciso dar um basta aos que usam e abusam do poder sagrado (religioso) para perseguir e condenar os que pensam ou agem diferentemente de suas opiniões.
Fonte: Jornal da Mediunidade – Uberaba – M.G.
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