domingo, abril 06, 2008
MARCOS
MARCOS
www.cristohistorico.hpg.ig.com.br
Paulo Dias, Editor do saite.
ACARAJE COM PIMENTA - Mc 1,14-15
O NOSSO uso de títulos inusitados e retirados da linguagem televisiva ou do mundo da moda não vem por acaso. O termo EVANGELIOS há 2 mil anos evocava o mesmo impacto que o título "Veja" ou "Isto é" ou "Show do Milhão": algo esperado com ansiedade e impaciência e que traz consigo toda uma carga de significados de, ao mesmo tempo, seriedade, competência e confiabilidade ou, por outro lado, algo com o que se tem muito a ganhar ou que desperta interesse potencial.
EVANGELHO - A "Boa Nova" era um proclama especial, inusitado, extraordinário, sempre oficial: o nascimento de um príncipe, a coroação de um rei. No caso do judaísmo, "evangelho" era o anúncio das festas.
AS FESTIVIDADES do culto judaico, envoltas em clima de alegria incontida (como festa popular) iniciavam quando o HAZZAN ou cantor anunciava "A boa noticia do tempo de festa", com voz potente e toque de clarim:
"Celebrai, celebrai, celebrai! E' tempo de festa para Jeovah, vinde todos!".
ISTO acontecia no *Pináculo do Templo*, ainda hoje existente, acima do Muro dos Lamentos. Não era de modo nenhum um culto triste, mas, arretado que nem acarajé quente (com pimenta), e tome de pimenta. Ademais, Jesus era Hazzan, cf. Mc1,14-15: "celebrai, celebrai! Chegou o reino de Deus, vinde todos festejar!..." [Nota bene - acarajé é um bolo de feijão típico do Brasil, frito em azeite, e temperado com pimenta].
OCORRE também que o gênero literário *evangelho* não foi inventado pelos cristãos mas pelos budistas, e estava na moda quando MARCOS adaptou o gênero às necessidades da comunidade cristã. Isto foi feito na linguagem literária mais atual da época, a literatura simbolista, tal como hoje, p.ex., as adaptações de obras literárias à TV. Sabemos bem que não correspondem por exata à realidade da nossa vida, por serem romances, mas a história produz seu encanto mesmo assim.
O EVANGELHO coletado ou produzido Conforme Marcos era (na altura) um gênero literário oral que combinava filosofia, apólogo e historietas, provérbios, moral, e romance; e divulgava o ensino espiritual de algum mestre de sabedoria daquele tempo; se precisasse, o autor recorria ao maravilhoso e ao sobrenatural, como parábola, cabendo ao publico refletir e separar os diversos elementos dentro do gênero; isso de ficar "desmontando romances" na cabeça, os orientais adoram; o melhor exemplo de literatura simbolista é As Mil e Uma Noites.
MARCOS - O evangelho sucedia ao gênero hebraico "Hagadah", uma História moralista livremente baseada nos fatos históricos [maior exemplo, o Pentateuco mosaico]. E corresponde ao gênero grego "tragidos", literatura oral muito semelhante ao repente nordestino. [[n.b., fiz pesquisa de campo sobre o tragidos, na Grécia, constatando muito parecer o repentismo.
Paulo Dias
NOVELA é novela, e a vida é a vida. Da mesma forma, o evangelho é o mapa, não o território. A partitura, não a música. O reflexo no lago, não a lua. Evangelho é folclore do povo palestino daquela altura. Um exemplo disso, a cena da mulher ungindo Jesus em Mc 14,3-9; era a imagem do Cântico dos Cânticos (Cantares), uma poesia bíblica recheada de sugestões físicas, mas a mentalidade oriental, diferente da nossa, não separa mística e corporalidade (o que não quer dizer que eles sejam imorais); tanto é verdade, que a mesma cena é descrita 3 vezes, em Mc, Mt e Jo, com pormenores diferentes, a mais de aparecer em romances da altura, que nem obras cristãs eram; talvez nem tenha ocorrido a cena, mas o leitor da época saberia separar a realidade da poesia, coisa que já não nos acontece hoje em face do evangelho.
PARA compreender o evangelho, pois, em especial o Conforme Marcos, é preciso antes de tudo o entender como obra de ficção, um memorial afetivo e romanceado, livremente baseado sobre uma realidade antiga da qual já não podemos estar muito certificados, e não um documentário preciso e objetivo, que seria preciso reconstruir como um quebra-cabeças.
SIMBOLISMO - Isto não quer dizer que o evangelho seja obra mentirosa, mas, um simbolismo, p.ex., na mesma cena da mulher ungindo Jesus o verdadeiro objetivo do autor poderia ser demonstrar que o nazareno aceitava o Cantares como Escritura venerada. Tal como sabemos bem qual o verdadeiro fim de uma cena de telenovela onde as personagens consomem o refrigerante x, comentando sobre as excelências da bebida: vender o refrigerante x, por óbvio, o leitor da altura compreenderia de imediato o objetivo da cena: pensar sobre o Cantares, como numa parábola; mas uma sociedade sem coca-cola não saberia discernir o real objetivo da cena de TV, como nos escapa já reconhecer a cena da mulher ungindo Jesus. Portanto é preciso passar do mapa ao território, e da partitura à a música; levantar os olhos do lago e contemplar a lua. Edita, Paulo Dias; revisa, Filadelfo. 2001.
MARCOS - Foi composto entre 50 e 70 E.C. [= Era Comum, = d.C. ou depois de Cristo] com base nas lembranças de Simão Pedro. Faz-se de pequenas passagens narrativas com alguns ensinos isolados e poucas parábolas. Marcos, ao que parece, foi o primeiro evangelho. Divide- se em 16 "capítulos" [os caps. e versículo do NT não pertencem ao original, foram criados na Idade Medieval] e encerra-se bruscamente em 16,9; o texto final 16,9-20 não foi escrito por Marcos e surgiu 200 anos depois.
http://br.groups.yahoo.com/group/CEPAK/mensagem 35
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Paulo Dias, Editor do saite.
ACARAJE COM PIMENTA - Mc 1,14-15
O NOSSO uso de títulos inusitados e retirados da linguagem televisiva ou do mundo da moda não vem por acaso. O termo EVANGELIOS há 2 mil anos evocava o mesmo impacto que o título "Veja" ou "Isto é" ou "Show do Milhão": algo esperado com ansiedade e impaciência e que traz consigo toda uma carga de significados de, ao mesmo tempo, seriedade, competência e confiabilidade ou, por outro lado, algo com o que se tem muito a ganhar ou que desperta interesse potencial.
EVANGELHO - A "Boa Nova" era um proclama especial, inusitado, extraordinário, sempre oficial: o nascimento de um príncipe, a coroação de um rei. No caso do judaísmo, "evangelho" era o anúncio das festas.
AS FESTIVIDADES do culto judaico, envoltas em clima de alegria incontida (como festa popular) iniciavam quando o HAZZAN ou cantor anunciava "A boa noticia do tempo de festa", com voz potente e toque de clarim:
"Celebrai, celebrai, celebrai! E' tempo de festa para Jeovah, vinde todos!".
ISTO acontecia no *Pináculo do Templo*, ainda hoje existente, acima do Muro dos Lamentos. Não era de modo nenhum um culto triste, mas, arretado que nem acarajé quente (com pimenta), e tome de pimenta. Ademais, Jesus era Hazzan, cf. Mc1,14-15: "celebrai, celebrai! Chegou o reino de Deus, vinde todos festejar!..." [Nota bene - acarajé é um bolo de feijão típico do Brasil, frito em azeite, e temperado com pimenta].
OCORRE também que o gênero literário *evangelho* não foi inventado pelos cristãos mas pelos budistas, e estava na moda quando MARCOS adaptou o gênero às necessidades da comunidade cristã. Isto foi feito na linguagem literária mais atual da época, a literatura simbolista, tal como hoje, p.ex., as adaptações de obras literárias à TV. Sabemos bem que não correspondem por exata à realidade da nossa vida, por serem romances, mas a história produz seu encanto mesmo assim.
O EVANGELHO coletado ou produzido Conforme Marcos era (na altura) um gênero literário oral que combinava filosofia, apólogo e historietas, provérbios, moral, e romance; e divulgava o ensino espiritual de algum mestre de sabedoria daquele tempo; se precisasse, o autor recorria ao maravilhoso e ao sobrenatural, como parábola, cabendo ao publico refletir e separar os diversos elementos dentro do gênero; isso de ficar "desmontando romances" na cabeça, os orientais adoram; o melhor exemplo de literatura simbolista é As Mil e Uma Noites.
MARCOS - O evangelho sucedia ao gênero hebraico "Hagadah", uma História moralista livremente baseada nos fatos históricos [maior exemplo, o Pentateuco mosaico]. E corresponde ao gênero grego "tragidos", literatura oral muito semelhante ao repente nordestino. [[n.b., fiz pesquisa de campo sobre o tragidos, na Grécia, constatando muito parecer o repentismo.
Paulo Dias
NOVELA é novela, e a vida é a vida. Da mesma forma, o evangelho é o mapa, não o território. A partitura, não a música. O reflexo no lago, não a lua. Evangelho é folclore do povo palestino daquela altura. Um exemplo disso, a cena da mulher ungindo Jesus em Mc 14,3-9; era a imagem do Cântico dos Cânticos (Cantares), uma poesia bíblica recheada de sugestões físicas, mas a mentalidade oriental, diferente da nossa, não separa mística e corporalidade (o que não quer dizer que eles sejam imorais); tanto é verdade, que a mesma cena é descrita 3 vezes, em Mc, Mt e Jo, com pormenores diferentes, a mais de aparecer em romances da altura, que nem obras cristãs eram; talvez nem tenha ocorrido a cena, mas o leitor da época saberia separar a realidade da poesia, coisa que já não nos acontece hoje em face do evangelho.
PARA compreender o evangelho, pois, em especial o Conforme Marcos, é preciso antes de tudo o entender como obra de ficção, um memorial afetivo e romanceado, livremente baseado sobre uma realidade antiga da qual já não podemos estar muito certificados, e não um documentário preciso e objetivo, que seria preciso reconstruir como um quebra-cabeças.
SIMBOLISMO - Isto não quer dizer que o evangelho seja obra mentirosa, mas, um simbolismo, p.ex., na mesma cena da mulher ungindo Jesus o verdadeiro objetivo do autor poderia ser demonstrar que o nazareno aceitava o Cantares como Escritura venerada. Tal como sabemos bem qual o verdadeiro fim de uma cena de telenovela onde as personagens consomem o refrigerante x, comentando sobre as excelências da bebida: vender o refrigerante x, por óbvio, o leitor da altura compreenderia de imediato o objetivo da cena: pensar sobre o Cantares, como numa parábola; mas uma sociedade sem coca-cola não saberia discernir o real objetivo da cena de TV, como nos escapa já reconhecer a cena da mulher ungindo Jesus. Portanto é preciso passar do mapa ao território, e da partitura à a música; levantar os olhos do lago e contemplar a lua. Edita, Paulo Dias; revisa, Filadelfo. 2001.
MARCOS - Foi composto entre 50 e 70 E.C. [= Era Comum, = d.C. ou depois de Cristo] com base nas lembranças de Simão Pedro. Faz-se de pequenas passagens narrativas com alguns ensinos isolados e poucas parábolas. Marcos, ao que parece, foi o primeiro evangelho. Divide- se em 16 "capítulos" [os caps. e versículo do NT não pertencem ao original, foram criados na Idade Medieval] e encerra-se bruscamente em 16,9; o texto final 16,9-20 não foi escrito por Marcos e surgiu 200 anos depois.
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