domingo, setembro 07, 2008

 

A ORAÇÃO PODE MUDAR A SUA VIDA

A Oração pode mudar sua vida
José Lázaro Boberg*
Nada virá de graça. Se você disser:
"Vou entregar tudo nas mãos de Deus" e permanecer inativo, nada acontecerá! Somos todos responsáveis pela penúria e abundância. Ter em abundância não significa ser prisioneiro das conquistas. Devemos utilizar com sabedoria tudo que adquirimos."
Este é o título do mais novo livro de Lázaro Boberg publicado pela EME. Como a maioria já sabe, o advogado e mestre em Direito, possui uma vasta história na EME. Professor universitário, Boberg também destaca-se como expositor do espiritismo trabalhando em dois centros espíritas de Jacarezinho-PR, e propagando os ensinamentos espíritas para outras localidades do país. Então, vamos conhecer um pouco mais sobre a mais nova obra de nosso querido amigo Boberg:
EME: Qual a finalidade em publicar A oração pode mudar sua vida?
Boberg: Quando Jesus afirmou, "Vós sois deuses", queria dizer que cada um tem a força potencializada em seu interior, e só se expressará pela vontade, no seu devido tempo num processo contínuo através das inúmeras experiências, quer seja no corpo físico, quer fora dele. Quando resolvemos refletir sobre o poder da oração, pretendíamos mostrar o quanto podemos pelo direcionamento de nossos pensamentos mudar o roteiro da vida. Afinal, a oração é um propósito que fazemos para conosco mesmo, plantando semente em nossos pensamentos, usando de palavras positivas, insistentes e com força emocional ao nosso Deus interno. Afinal, Deus não interfere nas ações das criaturas, somos nós que, com o tempo mudamos os rumos de nossos pensamentos. Se Deus fosse intercessor o homem teria obliterado o seu livre-arbítrio e não poderia criar nada. Seria sempre teleguiado, jamais cresceria e não seria autor do próprio destino.
EME: Podemos defender que a oração é o remédio para muitos males?
Boberg: A oração é uma ligação do ser. com o seu Deus-interno no recinto da alma. Quando se habitua a criar uma mente positiva alimentada por idéias de esperança, otimismo e confiança em si mesmo, não restam dúvidas que se adquire força para superar os mais intrincados obstáculos. Pelo hábito da oração evitam-se a instalação de males. Todavia, se cultivarmos uma mente negativa, uma vez somatizada, o trabalho já não é preventivo, mas curativo, exigindo um esforço maior do Espírito para apagar a causa que a produziu.
EME: Você esclarece minuciosamente a diferença entre religião e religiosidade e alerta que muitos freqüentadores de templos e igrejas se portam de maneira hipócrita. Percebe isso também entre os espíritas?
Boberg: Não resta dúvida que isto pode acontecer em qualquer crença religiosa. Quantas são as pessoas que freqüentam Casas Espíritas que são só boazinhas no recinto. Na vida, todavia, não demonstram religiosidade alguma. Jesus as chamou - pouco importa a religião, pois religião é criação humana - de sepulcros caiados, brancos por fora e cheias de podridão por dentro. Para seguir uma religião basta seguir suas regras doutrinárias, mas ter religiosidade é preciso expressar pureza da alma. Por isso, qualquer agremiação religiosa, pode ter os seus sepulcros caiados.
EME: Você comenta que, nós encarnados, somos ignorantes e que estamos no mundo terreno para evoluir, sendo que o objetivo é que todos sejam perfeitos um dia. Analisando nossa conjuntura e sociedade atual, você acredita que estamos muito longe disso?
Boberg: Todos partem de um mesmo ponto, sem quaisquer privilégios. Iniciamos da simplicidade e ignorância - no sentido de sem conhecimento - e o objetivo da encarnação é levar o Espírito à perfeição. Embora nem sempre percebamos esta evolução, se compararmos com as populações que nos antecederam, temos sempre um plus a mais. Não dá, assim, para milimetrar o quantum já avançamos, ou se ainda estamos longe disso. Como o avanço é infinito, estamos sempre caminhando para um grau maior.
EME: Você relata que a oração do Pai-Nosso é modelo. E as demais, qual peso possuem no momento da prece?
Boberg: A oração Pai-Nosso é, tradicionalmente, considerada de oração-modelo porque, segundo as anotações de Mateus, foi ensinada por Jesus aos seus discípulos, quando estes pediam a ele, que os ensinasse a orar. No entanto, todas as preces são válidas quando pronunciadas com sentimento, sem, obviamente, necessidade de qualquer roteiro. Qualquer um pode elaborar sua própria oração. Porque a oração, uma vez repetida e extravasada do fundo da alma, ajuda-nos a mudar nossos hábitos. Na realidade, não é Deus que muda - Ele é Perfeito - quem muda, na realidade, somos nós mesmos, pelo uso do livre-arbítrio.
EME: O livro possui várias considerações embasadas num viés filosófico e psicológico. Por quê?
Boberg: Infelizmente, o que se denota na maioria das Casas Espíritas é a ênfase ao Espiritismo religioso, partindo do princípio que as verdades já foram reveladas pelos Espíritos Superiores; relega-se, assim, para segundo plano a filosofia e a ciência. Este Espiritismo religioso - com destaque tão-somente no passe, receitas, curas, etc - imobiliza o desenvolvimento do adepto. Nota-se, hoje, uma doutrina cristalizada na religião, embora não seja esta a orientação de Kardec que estruturou o Espiritismo para manter-se atualizado, acompanhando o avanço da ciência. Neste sentido, alerta o codificador, que permanecendo fechado ao progresso, o Espiritismo caminha para o suicídio. Ou, em outras palavras, o Espiritismo será científico ou perecerá. Assim, precisamos acompanhar os avanços das ciências, para que os fatos tidos como verdade revelada, passem pelo crivo da averiguação permanente e adquiram o carimbo da verdade investigada.
EME: Acredita que com o passar do tempo as pessoas terão mais clareza quanto a finalidade dos dogmas instituídos pelas religiões?
Boberg: Tudo se relaciona à maturidade do Espírito. A verdade é conquistada paulatinamente num continuum infinito. Daí a importância do conhecimento científico e filosófico da Doutrina Espírita. A verdade científica é fruto do trabalho de pesquisa e da reflexão filosófica. Enquanto o ser estiver preso apenas aos dogmas criados pelas religiões, o Espírito ainda não compreendeu o verdadeiro sentido da Doutrina Espírita. Quem permanece imobilizado não cresce. Kardec não projetou uma Doutrina estática, mas, sim, dinâmica e progressista, em que o adepto esteja sempre disposto a mobilizar suas estruturas mentais, acompanhando as verdades científicas.
*Autor dos livros O Poder da Fé; Nascer de Novo - Para ser feliz; Prontidão para Mudança; Filhos de Deus - o amor incondicional e O Código Penal dos Espíritos
Fonte: Revista EME agosto 2008
www.editoraeme.com.br

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