sábado, novembro 22, 2008

 

RELAÇÃO ENTRE O ESPÍRITA E O CENTRO ESPÍRITA

Relação entre o Espírita e o Centro Espírita

Sempre ouvimos dizer num velho e já carcomido chavão que “se a pessoa não vai pelo amor vai pela dor”. Mas, já parou para refletir a respeito dessa expressão?
Se considerarmos que Deus é perfeito e justo, como entender que Ele nos criou para que o respeitássemos pela dor? Se a relação pura e simples significa amor, que seria então esse amor, tendo em vista que na maioria das vezes é uma relação de interesses ou necessidades materiais?
Nossa existência – nossa experiência em cada existência – vai além de momentos que nos causam “a dor”, é uma seqüência de experiências que tem por fim tornar-nos FORTES através de obstáculos que conseguimos superar, seja pela confiança em Deus, seja pela solidariedade necessária entre os encarnados. Experiência através da qual no decorrer da encarnação vamos apropriando conhecimentos que desenvolvem nossa inteligência. A somatória dos saberes nos possibilita discernimento e melhores possibilidades de escolha, segundo o nosso desejo, respeitando inclusive a individualidade do Ser.
Dessa forma, nos tornamos Espíritas pelos resultados das nossas vivências, atraídos pelos estudos da Doutrina no Centro Espírita, tendo em vista a necessidade que temos de aprofundar o conhecimento por causa dos resultados alcançados ao encararmos cada dificuldade. Passamos a freqüentar um Centro Espírita, a princípio curiosos, depois tímidos até o fazê-lo metódica e sistematicamente, embora, sem envolvimento com a casa por trazermos costumes equivocados de outras searas. Segundo nossas expectativas, de início somos atendidos com insistência por companheiros que nos convidam sem cessar com relação a eventos, seja para trabalho voluntário, seja para estudos doutrinários e depois de um certo tempo – com a devida conceituação doutrinaria – ao trabalho propriamente dito, como a prática de experiências mediúnicas.
A pessoa irá se deparar então, com algo que muitos nem suspeitam: para manter a casa funcionando – para atender a tantos outros irmãos – precisa de envolvimento e trabalho de pessoas que são escolhidas pelos antigos trabalhadores principalmente pela voluntariedade e acima de tudo pela assiduidade nos eventos e tarefas, bem como aos estudos. Isso é o que chamamos solidariedade. Sim, alguém precisa dar continuidade aos atendimentos, à divulgação da doutrina e à perpetuação do serviço prestado. O Centro Espírita é acima de tudo um prestador de serviços e as pessoas assim o consideram tendo em vista o atendimento à suas mazelas.
Neste contexto, o Espiritismo não pode ser visto como mais uma religião – embora deva ser praticado com religiosidade – mas como uma oportunidade de entendermos filosoficamente nossas dificuldades e adquirirmos novas expectativas através da própria transformação moral. Assim, através da elucidação da vida, a filosofia espírita tem por fim libertar-nos da crença cega e dos dogmas que tem massificado a opinião pública a um conceito medroso da divindade, fundamentada em postulados não examinados e nem conotados com o crivo da razão; na maioria das vezes por um iniciado que vive as expensas da clientela de crentes.
O Espiritismo não adota mandatário divino e nem idolatra a nenhum, seja encarnado ou desencarnado. Muito pelo contrário, o que vemos no meio Espírita são “defeitos” dos correligionários, que por falta de estudo profundo ainda persistem em erros. É o caso por exemplo, das pessoas que não conseguem se libertar do sentido religioso ortodoxo que faz com que idolatrem Espíritos ou mesmo médiuns que para eles são como “deuses”. Entretanto, no percurso da história, até Moisés teve problemas com as imagens de ouro... E isto haverá de persistir por um tempo até que nos libertemos dessa mania teimosa de a tudo dar um ar de encanto – ao contrário do que propõe a Doutrina Espírita.
Algo que assusta também as pessoas e principalmente estas a quem acabamos de nos referir, é o fato de que a Doutrina Espírita nos faz responsáveis pelos nossos atos e conseqüentes resultados. Não indica nenhum culpado pelas nossas dificuldades (resultado do que fizemos), indica o caminho da reparação e da harmonização da situação, pois o Centro Espírita não é um local de adoração e devoção onde se troca responsabilidade por indulgência, mas sim o local onde você pode ser auxiliado a refletir tranqüilamente sobre suas ações e oportunidades de reparo. Tudo com trabalho árduo, mas de extrema realização íntima.
Um Centro Espírita bem conduzido possibilita:
Ö estudos doutrinários;
Ö capacitação do Ser para que possa experimentar e estudar suas próprias questões;
Ö oportunidade de trabalho acima de tudo aos que são assíduos e se envolvem solidariamente na casa, visto que respeitamos o livre arbítrio, ou seja, são feitos convites.
Procuramos acima de tudo, agir como “facilitadores” para que outros venham futuramente e dêem continuidade ao trabalho, mantendo acesa a chama da esperança de outros Seres; companheiros de jornada material.
Portanto, o Espírita precisa ter um relacionamento intenso e assíduo com o Centro Espírita em todos os aspectos, principalmente na freqüência com relação à diversidade de atividades da casa. Não deve descuidar do estudo da Doutrina Espírita que é dinâmica, dependendo única e exclusivamente de seus profitentes; para termos poder de analise precisamos da fundamentação atrelada aos aspectos da nossa vida cotidiana. Só assim, poderemos desenvolver e desdobrar os postulados segundo o nosso tempo.
Não obstante, é no Centro Espírita, através o relacionamento com pessoas, que o Espírita está desenvolvendo seus conhecimentos, validando seu aprendizado através da troca de idéias e experiências, conceituando por assim dizer, a Doutrina Espírita à medida que avança no estudo através do entendimento mais profundo para o seu tempo.
Enfim, é o Centro Espírita o laboratório onde serão realizadas experiências que devem nos conduzir ao aprimoramento devido ao entendimento doutrinário e a pratica mediúnica no seu mais importante papel, qual seja o de formar opiniões e estabelecer novos parâmetros. Sempre temos como base fundamental, libertar-nos de misticismos ou idolatrias tão comuns em nosso meio, afinal somos todos irmãos em desenvolvimento da capacidade intelectual e moral.
Assim, o Centro Espírita é uma “célula”, na qual Espíritas imbuídos da responsabilidade que lhes é confiada, compõem seu “núcleo” que deve multiplicar conhecimento e orientação.

Comments: Postar um comentário



<< Home

This page is powered by Blogger. Isn't yours?