sexta-feira, setembro 23, 2011

 

O ataque da imprensa contra o espiritismo

O ataque da imprensa contra o espiritismo
Escrito por Milton Felipeli
http://www.correiofraterno.com.br/nossas-secoes/15/708-o-ataque-da-imprensa-contra-o-espiritismoo-ataque-da-imprensa-contra-o-espiritismo

Depois da metade do século 19, a imprensa, no Rio de Janeiro (sede da Corte Imperial), realizou vários ataques contra o espiritismo.
Com sede também no Rio de Janeiro, o Grupo Confucius iniciou, em 1875, a edição de uma revista intitulada Revista Espírita, com o mesmo nome da Revue Spirite, publicada em Paris por Allan Kardec. Em suas páginas, a revista publicou diversos artigos em refutação aos ataques que eram feitos contra o espiritismo pelo Jornal do Comércio que dizia ser “o espiritismo uma epidemia mais perigosa que a febre amarela.”
Em 28 de agosto de 1881 os jornais O Cruzeiro e Jornal do Comércio noticiaram oficialmente a ordem policial que proibia o funcionamento da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e Caridade, e também de todos os seus centros espíritas filiados. Apesar do ministro da justiça receber em audiência os diretores do Centro e de afirmar que não consentiria qualquer perseguição, no dia 30 daquele mês a sociedade foi intimada a suspender suas reuniões.
Os espíritas se movimentaram e compareceram, em comissão, até o imperador Dom Pedro II, solicitando a revogação da ordem. O imperador também confirmou que não admitiria nenhuma perseguição aos centros espíritas. Porém, como a ordem não fora revogada, a proibição foi mantida.
Diversas outras gestões foram efetuadas, posteriormente. E importante é destacar que a tônica desenvolvida pelos inimigos do espiritismo enfocava que as práticas mediúnicas eram associadas à loucura e a estados de demência. Os espíritas tentavam explicar publicamente que a mediunidade não causava qualquer mal. Em 1904, a Federação Espírita Brasileira foi intimada a comparecer perante o Juízo dos Feitos da Saúde Pública para ser processada por realizar trabalhos espíritas e prescrever a homeopatia. Diversos outros processos foram abertos contra a Federação, assim como contra diversos médiuns receitistas e curadores. Em todos os processos os espíritas foram absolvidos.
No período da República Velha, o catolicismo brasileiro detinha o monopólio religioso. O Vaticano fortalecia o clero brasileiro. Beneditinos e jesuítas chegavam do exterior para instalar seus colégios. O objetivo era estabelecer o ensino religioso nas escolas públicas. Em 1934, sob o governo de Getúlio Vargas, Alceu de Amoroso Lima [pensador e líder católico brasileiro], por ocasião da reforma educacional, propôs que a educação pública fosse de orientação católica. A Igreja mantinha assim as suas prerrogativas de religião oficial.
Em 1937, a sede da Federação Espírita Brasileira e os centros espíritas filiados foram fechados pela polícia. A sociedade se mobiliza em favor do Estado leigo e as pressões sofridas pelos espíritas e umbandistas em um país de intolerâncias resultaram na suspensão do funcionamento de todos os centros.
No meio espírita paulista, uma voz se levanta, entre outras, em apoio às iniciativas da Coligação Nacional Pró-Estado Leigo, fundada por Artur Lins de Vasconcelos Lopes, em 17 de maio de 1931. Essa voz foi a de Cairbar Schutel. A sede do Movimento era o Rio de Janeiro e tinha o apoio de milhares de brasileiros. A iniciativa mantinha um caráter apolítico, que não entrava em discussões religiosas, não atacava o catolicismo. Apenas defendia os direitos de cidadania de qualquer pessoa seguir livremente sua própria corrente de pensamento. E foi na cidade de São Carlos, interior paulista, onde se formou um comitê de ação de espíritas, maçons, liberais, democratas e religiosos da zona araraquarense que se levantaram contra a supressão do livre pensamento.
Vale lembrar a opinião de Allan Kardec, inserido em Obras póstumas: “O Espiritismo proclama a liberdade de consciência como direito natural e a reclama para si e para todo o mundo. Respeita toda a convicção sincera e pede a reciprocidade. Da liberdade de consciência, resulta o direito de livre exame em matéria de fé.”

Veja outra informações e as fontes consultadas no site www.correiofraterno.com.br
Escritor, membro da Associação dos Divulgadores do Espiritismo de São Paulo
E-mail: miltonfelipeli@ig.com.br
Texto publicado na edição Nº440 do Jornal Correio Fraterno

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