terça-feira, novembro 01, 2011

 

A DOUTRINA DO TÚMULO VAZIO

A DOUTRINA DO TÚMULO VAZIO

CARLOS A. IGLESIA BERNARDO
Fonte: Boletim GEAE no 545 Em : www.geae.inf.br/pt/boletins/geae545.pdf

Novembro começa com as solenidades do dia de finados, data que pelos usos e costumes brasileiros, é reservada para recordar os que já partiram e levar flores a seus túmulos. Por isso, é o mês da saudade, onde os que ficaram lembram com mais intensidade de seus entes queridos e, para muitos, se reaviva o sentimento de perda. Mês doloroso para os que não conseguem superar este sentimento ou que lutam com as dificuldades por não contarem mais com o apoio de um pai, uma mãe, um cônjuge ou o braço amigo que os sustentava nos momentos difíceis.
Para nós espíritas, esta data tem outro significado, há a saudade sem dúvida e as lutas para o reequilíbrio são as mesmas, porém a visão da situação muda, o sofrimento se não cessa, é temperado pela esperança e pela certeza de que a vida continua. Os tormentos do desespero e da incerteza do futuro desaparecem.
O Espiritismo é a doutrina do túmulo vazio, nele nada mais fica que a roupagem externa qual roupa velha descartada após seu uso ter terminado que a alma usou durante algum tempo como instrumento didático na escola da vida material.
Após o túmulo se abrem novas dimensões da vida, novas lições e oportunidades de crescimento, novas tarefas e a intensidade dos laços de afeto permanece a mesma, se não aumenta. A morte existe para nós, por nossas limitações de sentido, por não captarmos o mundo que se estende além das fronteiras da matéria, mas, para aqueles que estão do outro lado, isto não ocorre. Eles nos veem e nos visitam, compartilham dos nossos sentimentos de saudade e interagem conosco através da intuição e até mesmo em fenômenos mediúnicos quando a oportunidade aparece. De fato, em vez do dia de finados, a data deveria ser chamar dia dos que estão em nova fase da vida.
Estes fatos não são fantasias dos poetas, devaneios dos místicos ou sonhos das almas simples, são constatações feitas em experiências ao longo de mais de um século e meio de estudos dos fenômenos mediúnicos. Embora ainda fora dos limites das ciências ordinárias, estes estudos não são menos verdadeiros e suas provas menos convincentes. Não são reprodutíveis ao gosto do experimentador ou passíveis, como nas coisas da matéria, de serem confinados em laboratórios, mas, respeitando-se as leis físicas e morais que os controlam, podem ser, foram e continuam a ser constatados a exaustão.
Mesmo sem considerar os fenômenos de maior impacto e raridade, como as materializações, há manifestações mediúnicas como a psicografia, que desafiam qualquer outra explicação além da que entes inteligentes, os espíritos, são seus autores. A vida de Chico Xavier, recentemente levada aos cinemas, é um testemunho deste fato. Céticos apontarão explicações elaboradas como percepção extrassensorial ou leitura fria combinada com fraude, mas, se embaraçarão ao tentar encaixá-las nos fatos e farão verdadeira acrobacia mental e distorção para descartar o que não lhes convém.
Além de todo o embasamento do Espiritismo nos estudos citados, outro fator contribui para a fé raciocinada dos espíritas, é a certeza que ele adquire ao longo de sua vivência nos grupos espíritas. Certeza derivada da infinidade de pequenas provas que se acumulam no dia-a-dia e que o habituam a enxergar a vida de forma mais ampla. Assim ao compartilhar as homenagens do dia de finados e visitar os cemitérios, o espírita sabe que é apenas um gesto simbólico de carinho para alguém querido que se encontra temporariamente a distância, mas que este alguém não está de forma alguma extinto e que o túmulo que está diante de si é um armário com roupas vazias.
A propósito, nossos amigos e parentes, que estão no mundo espiritual não gostam de nos ver tristes e pesarosos, pelo contrário, como nos querem bem, querem que sigamos nossas vidas e gostariam de nos ver lembrando deles nos seus melhores momentos. São gratos quando usamos o telefone sem fio do pensamento para dirigir-lhes palavras de carinho e encorajamento e não nos esquecem jamais.
Às vezes eles até vão aos cemitérios, mas porque estamos ali a pensar neles e não porque sintam qualquer atração especial pelo local.

"(...) Transformar o culto da saudade, comumente expresso no oferecimento de coroas e flores, em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário, fazendo o mesmo nas comemorações e homenagens a desencarnados, sejam elas pessoais ou gerais. A saudade somente constrói quando associada ao labor do bem. (...)"
Perante a Desencarnação André Luiz, médium Waldo Vieira, Conduta Espírita FEB

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