domingo, maio 20, 2012

 

A religião pode melhorar seu autocontrole mesmo se você não acreditar na existência de Deus



Osmairo Valverde




Pense: Suas crenças o impedem de ser influenciado pela religião? Pense novamente.

Psicólogos da Universidade de Queen têm demonstrado que as pessoas estão preparadas para pensar subconscientemente sobre religião – incluindo os agnósticos e ateus. Segundo o estudo, quem tem uma religião obteve melhor desempenho em tarefas que exigem autocontrole, comparado com aqueles que não possuem nenhuma religião.



Talvez soe estranho para algumas pessoas, mas o estudo mostrou que as pessoas religiosas tiveram desempenho melhor do que pessoas que foram preparadas desde pequenas para terem conceitos de pura moralidade.



A grande maioria das pessoas se identificam com alguma forma de religião. “Quando dizemos autocontrole estamos falando sobre nossa capacidade de abster-se de ações pessoais desejáveis e impulsos, optando por comportamentos que são mais vantajosos, trazendo o nosso comportamento em conformidade com os padrões socialmente aceitáveis”, declarou Kevin Rounding, psicólogo da Universidade de Queen.



A pesquisa, publicada na última edição da Psychology Letters, usou dados dos psicólogos Roy Baumeister e Michael McCullough – pesquisadores que estudaram o surgimento da religião e sua relação com autocontrole. Segundo estes dois pesquisadores, a religião é uma adaptação cultural, se beneficiando da evolução da humanidade através da promoção do comportamento, socialmente benéfico sobre as faces da adversidade.



Plantando a semente religiosa

Para testar essa ideia proposta pelos psicólogos, os cientistas “plantaram” pensamentos inconscientes sobre religião. Para que você leitor compreenda a forma como a pesquisa foi elaborada, uma das frases usadas para “plantar” pensamentos com sentido religioso era: “A sobremesa era algo divino”.



“Descobrimos que os participantes que decodificaram frases com palavras religiosas foram capazes de desempenhar significativamente as tarefas propostas”, comentou Rounding

Não é religioso? Não tem problema!



Uma das descobertas dos pesquisadores mais intrigante foi a de que as pessoas não precisam ser religiosas para ter benefícios do autocontrole. Aproximadamente ¼ dos voluntários relataram que eram agnósticos e 11% foram classificados como ateus, mas a equipe de cientistas conseguiu provar que esses participantes também conseguiram desempenhar autocontrole através da influência do subconsciente sobre os pensamentos religiosos “plantados”. Este resultado chama a atenção para uma importante advertência nas descobertas dos pesquisadores.



A pesquisa mostrou que participantes “imunes”, com conceitos de justiça, virtude ou moral arraigados em seu comportamento, foram incapazes de exercer os mesmos níveis de autocontrole, comparado com os religiosos.



“Podemos afirmar que a religião melhora o autocontrole, mas não podemos dizer o mesmo da moralidade”, afirmou Rounding



À primeira vista, parece existir algo especial sobre a religião, especificamente sobre os primeiros dados seculares. Observações feitas pelo psicólogo social Ara Norenzayan, que provou que o pensamento analítico pode realmente diminuir a crença religiosa, revelou que as coisas são mais complexas do que parecem.



O pesquisador mostrou experimentalmente em 2008 que pessoas “imunes” aos pensamentos relativos ao dever cívico, eram mais propensos a se engajarem em comportamentos pró-social, uma qualidade também observada em participantes religiosos.



“Agora estamos tentando analisar se as pessoas estão focadas em um conceito de um Deus irado ou um Deus que perdoa, e se isso é ou não um aspecto particular que pode ser encarado como fator especial sobre os assuntos religiosos”, complementou Rounding.



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