terça-feira, janeiro 08, 2013
O ASTRAL
O
ASTRAL
Ano
XX – Número 226– Distribuição Gratuita – Janeiro 2013
Órgão
Oficial de Informação do Centro Espírita Astral Superior
Declarado
de utilidade pública municipal pela Lei 2.076 de 09 de Outubro de 1986
Rua
5-A nº 352 – Vila Alemã – Rio Claro – SP CEP 13 506-662
Ano Novo
Vinícius Lousada
Serão
novos os anos que passam os séculos e os milênios que se sucedem na ampulheta
do tempo?
Não
são. O tempo, qual o concebemos, não passa de uma ilusão. Não há tempos novos,
nem tempos velhos. O tempo é sempre o mesmo, porque o tempo é a eternidade.
Todas as mudanças que constatamos em nós e em torno de nós são produtos da
transformação da matéria. Esta, realmente, passa por constantes modificações. A
mutabilidade é inerente à matéria e não ao tempo.
A
matéria é volúvel como as ondas e instável como as nuvens que se movimentam no
espaço, assumindo variadas conformações que se sucedem numa instabilidade
constante.
O
nosso envelhecimento não é obra do tempo como costumamos dizer. É a matéria que
se vai transformando desde que entramos no cenário terreno. Nascemos,
crescemos, atingimos as cumeadas do desenvolvimento compatível com a natureza
do nosso corpo. Após esse ciclo, as mudanças tornam-se menos rápidas. Há como
que ligeiro repouso. Depois, segue-se a involução, isto é, o curso descendente
que nos leva à velhice, à decrepitude e à morte, quando esta não intervém
acidentalmente, pelas moléstias, cortando o fio da existência em qualquer de
suas fases.
Todos
esses acontecimentos nada têm que ver com o tempo. Trata-se de manifestações da
evolução da matéria organizada, vitalizada e acionada pela influência do
Espírito.
O
Espírito é tudo. Por ele, e para ele, é que as moléculas se agrupam, se
associam, tomando forma, neste ou naquele meio, na Terra ou em outras infinitas
moradas da casa do Pai, que é o Universo.
Na
eternidade e na imensidade incomensurável do espaço, o Espírito se agita
procurando realizar o senso da Vida, que é a evolução. Para consumá-la,
percorre as incontáveis terras do Céu. Veste e despe centenas de indumentos,
assumindo milhares de formas e aspectos.
A
matéria é seu instrumento, e o meio através do qual ele consegue a sua ascensão
ininterrupta.
Nada
significam, portanto, os anos que passam e os anos que despontam nos
calendários humanos. O importante na vida do Espírito são as arrancadas para a
frente, são as etapas vencidas, o saber adquirido através da experiência, e as
virtudes conquistadas pela dor e pelo amor. O que denominamos – passado – é
apenas a lembrança de condições inferiores por onde já transitamos. De outra
sorte – o futuro não é mais que a esperança que nutrimos de alcançar um estado
melhor. O presente eterno, eis a realidade.
Encaremos
assim o tempo e, particularmente, o ano novo que ora se inicia. Façamos o
propósito de alcançar no seu transcurso a maior soma possível de
aperfeiçoamento.
É
o que, de coração, desejamos aos nossos leitores.
Fonte:
Na seara do mestre. 10. ed. 2. reimp. Rio de Janeiro: FEB, 2011. p. 11 e 12.
O
Primeiro Reformador
Antonio
Cesar Perri de Carvalho
A
Revista Reformador surgiu em 21 de janeiro de 1883, fundada pelo imigrante
português Augusto Elias da Silva (1848-1903).1 As primeiras edições foram em
formato de jornal, com quatro páginas, periodicidade quinzenal, preparadas com
recursos próprios de seu fundador e situando a redação e oficinas em seu
atelier fotográfico, na rua da Carioca, 120, 2o andar, na cidade do Rio de
Janeiro.
O
novel periódico tinha como subtítulo Órgão Evolucionista. Na apresentação, o
fundador explicita os objetivos do mesmo:
Abre
caminho, saudando os homens do presente, que também o foram do passado e ainda
hão de ser os do futuro, mais um batalhador da paz: – o Reformador.
Em
outro trecho comenta: Ao Espiritismo estava reservado o papel difícil, mas, por
isso mesmo glorioso de estabelecer – a aliança da ciência e da religião. A
doutrina espírita muda inteiramente a maneira de encarar o futuro. [...]
Ergueu-se o véu; o mundo espiritual nos aparece em toda sua realidade prática.
[...]2
Ainda
na página primeira, inicia-se a seção “Folhetim”, que continua na página
seguinte, preenchendo- a com resenha do livro, de origem francesa, de fundo
religioso, intitulado O Quarto da Avó ou A felicidade na família, de
Mademoiselle Monniot, e trechos do Boletim do Grande Oriente do Brasil, do
Diário Oficial, do Jornal do Comércio, de outros periódicos leigos e da Revista
da Sociedade Acadêmica.3 Trata- -se da Sociedade Acadêmica Deus, Cristo e
Caridade, a primeira Instituição Espírita frequentada por Augusto Elias da
Silva, quando procurou o Espiritismo. 1
A
terceira página é composta pela “Seção Eclética”:
[...]
consagrada a todas as corporações científicas, filosóficas e literárias, às
quais se remeterá gratuitamente este jornal [para] se comunicarem [as] que
desejam possuí-lo e colecioná- lo.4
Em
outra nota, é apresentada a seção “Espiritismo”:
[...]
criamos esta seção especialmente para as Sociedades e Grupos Espíritas que
funcionam no Brasil, nas mesmas condições da oferta feita às outras
corporações.4
Em
outra seção “Notícias e Avisos”, é aberto o espaço para informações gerais. São
consideradas “seções livres de Reformador as seguintes: Seção Eclética,
Espiritismo, Notícias e Avisos e Anúncios”.3 Notícia muito interessante é
veiculada na seção “Notícias e Avisos”, sobre a União Espiritualista Universal,
referente à reunião ocorrida em Bruxelas (Bélgica), no dia 24 de setembro de
1882:
Movidos
pela ideia iniciada pela União Espiritualista em Liège, muitos Grupos e
Sociedades Espíritas de diversos Estados, incluindo os da União Espírita do
Brasil, manifestaram a adesão à ideia da União Espiritualista Universal. [...]
Os Grupos de França fizeram- -se representar pelo Sr. P. G. Leymarie. [...]
Ficou determinado que na próxima Assembleia que terá lugar em Fevereiro, se
estudará o melhor meio de se federar os Grupos Espíritas de todo o mundo.4
Esclarecemos
que a citada União Espírita do Brasil foi presidida por Elias, em 1893, e por
Bezerra de Menezes, em 1889.1
Há
também informação sobre a reconstituição legal do Grande Oriente do Brasil e
sobre a nova Sociedade Espírita, fundada em Liège (Bélgica).
A
última página, dedicada aos “Anúncios”, contém várias propagandas, como fábrica
de chapéus e comércio em geral: de calçados e de couros, de especialidades para
a casa, chapelaria, padaria, tipografia, relojoaria e bijuteria, águas gasosas,
farmácia, alfaiataria, de café e de móveis. Entre estas há uma sobre livros,
com notícia a respeito da Livraria da Sociedade Acadêmica – já citada acima –,
localizada na rua da Alfândega, 120, sobrado, anunciando: Obras fundamentais do
Espiritismo, Revista Espírita, busto e retrato de Allan Kardec, e outros.
Informam que “aceitam-se encomendas de livros; as obras Espiríticas expedem-se
para qualquer localidade sem aumento de preço e livre de despesa para o
comprador”.5
Na
edição inaugural, Reformador estampa esclarecimento sobre os princípios da
Doutrina Espírita, destaca notícia a respeito dos esforços iniciais, em nível
internacional, da união dos espíritas, e, na apresentação inicial e anúncios,
destaca a difusão do Espiritismo e dos livros espíritas.
Assim
nascia Reformador que, nesses 130 anos de circulação ininterrupta, mantém uma
marca histórica, pois são raríssimos os periódicos brasileiros que
sobreviveram, por tempo tão longo, com periodicidade regular. Fato digno de nota
é que, dois meses depois, na edição especial do dia 31 de março de 1883, n. 6,
Reformador dedicou-se inteiramente a Allan Kardec, designando-o “Fundador da
Ciência Espírita” e estampou em sua página inicial o lema: “Sem caridade não há
salvação”.
No
final do mesmo ano, Augusto Elias da Silva liderou o processo de fundação da
FEB. O entusiasta idealista deixa clara a sua expectativa com a divulgação, ao
referir que acha-se em via de organização a Federação Espírita Brasileira.
Fitando o largo horizonte da propaganda escrita, acreditamos que prestará
serviços da máxima importância para a vulgarização dos princípios filosóficos
do Espiritismo.6
O
intimorato pioneiro foi protagonista de episódios históricos do Movimento
Espírita nacional, como a fundação de grupos espíritas pioneiros, a criação
desta Revista e a fundação da Federação Espírita Brasileira, integrando sua
primeira diretoria, como tesoureiro,1 a qual, então, decidiu absorver o então
jornal como seu órgão oficial.
Da
homenagem a seu fundador, prestada por Reformador na seção “Apologética”, na
edição de 1o de janeiro de 1904, destacamos:
[...]
A fé que depositava no futuro da causa que em boa hora esposara rivalizava com
o desassombro em sustentar as suas convicções. A elas, durante muitos anos, sacrificou
os seus interesses pessoais, as suas comodidades, não tendo senão uma ambição:
ver prosperar, com a nossa sociedade, a doutrina que lhe dera origem.7
1
WANTUIL, Zêus. Grandes espíritas do Brasil. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2002.
p. 169 a 197.
2
REFORMADOR. Ano 1, n. 1, 21 de janeiro de 1883, p. 1.
3
______. ______. p. 2.
4
______. ______. p. 3.
5
______. ______. p. 4.
6
______. Ano 2, n. 26, 1º de janeiro de 1884, p. 3.
7
______. Ano 22, n. 1, 1º de janeiro de 1904, p. 10.
O Centro Espírita Astral Superior mantem
estudos Doutrinários às quartas feiras, frequência livre para quem tenha
interesse em conhecer o Espiritismo.
O horário é das 20h00 às 21h30.
Sugestões
para: lzgonzaga@yahoo.com.br