sexta-feira, janeiro 18, 2013
REVISTA O ESPIRITA PUBLICOU -
ADULAÇÕES ELOGIOSAS SÃO PEÇONHAS NA FORMA VERBAL
17 de janeiro de 2013 - http://oespirita.com.br/
Jorge Hessen - Brasília
http://jorgehessenestudandoespiritismo.blogspot.com.br/2013/01/revista-o-espirita-publicou-adulacoes.html
O que uma
pessoa tende a valorizar mais: satisfação sexual, dinheiro, comida, álcool,
amigos ou elogios? “Pesquisadores avaliaram os desejos e gostos de alguns
estudantes universitários sobre uma série de desejos e gostos e os resultados,
para surpresa dos estudiosos, indicaram que os voluntários dão mais valor a um
elogio ou uma avaliação positiva do que comer sua comida preferida,
satisfazer-se sexualmente, beber, receber o salário do mês e até encontrar um
melhor amigo.”(1)
Portanto,
embora surpresos, os pesquisadores confirmaram que o desejo de se “sentir
valorizado”, através de elogios, triunfa sobre qualquer outra situação
prazerosa. Cremos que estamos observando gerações em que uma parcela gigantesca
de cidadãos é constituída de adultos condescendentes, imaturos para os
obstáculos, decepções e desafios da vida, incapazes de lidar com conflitos e
dotados de uma alucinante certeza de que o mundo lhes deve algo, por isso,
exigem ser adulados.
Não há
dúvida de que a ausência de palavras e frases motivadoras, cada vez mais
incomuns nos ambientes domésticos, prejudica a relação parental. Raramente
observam-se muitos homens estimulando com palavras edificantes suas mulheres e
vice-versa, não se constata regularmente chefes estimulando com sinceridade o trabalho
de seus subordinados, não é muito comum pais e filhos estimulando-se com
palavras afetuosas.
Óbvio que
o bom profissional, inobstante não almeje, valoriza uma palavra e estímulo , o
bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe exultam de ser
avaliados positivamente, o bom amigo, a boa dona de casa, a mulher que se
cuida, o homem que se dedica, enfim, vivemos numa sociedade em que um precisa
do outro; é impossível um homem viver sozinho, e as palavras motivadoras (que
não pode resvalar para elogios) são a oxigenação de ânimo na vida de qualquer
pessoa.
Desde que
adentramos nos portais dos ensinos kardecianos, aprendemos que o elogio (ainda
que bem intencionado) nos amolece e ilude. E nada existe de mais frágil que uma
criatura iludida a seu próprio respeito. É verdade , os Benfeitores nos
advertem a fim de que não percamos nossa independência construtiva a troco de
considerações humanas (bajulações), posto que a armadilha que pune o animal
criminoso é igual à que surpreende o canário negligente.
Até mesmo
nos momentos de agruras de alguém, “nas horas difíceis, em que vemos um
companheiro despenhar-se nas sombras interiores, não olvidemos que, para
auxiliá-lo, é tão desaconselhável a condenação, quanto o elogio.” (2) Sussurra
a prudência cristã que nunca cederíamos campo à vaidade se não vivêssemos
reclamando o deletério coquetel da lisonja ao nosso egocentrismo doentio.
Invariavelmente
ficamos submissos às injunções sociais quando buscamos aprovação (bajulações)
dos outros, “quando permanecemos na posição de permanentes escravos e pedintes
do aplauso hipócrita e do verniz, da lisonja, condicionando-nos a viver sem
usufruir de liberdade de consciência, submetendo-nos a ser manipulados pelos
juízos e opiniões alheias.”(3)
O elogio
nos arremessa à presunção, a afetação nos remete à vaidade. Nesse insofreável
desejo de chamar a atenção alheia, queremos ser aplaudidos e reverenciados
perante os outros. Atualmente adota-se assustadoramente o hábito dos dirigentes
incautos de elogiar e exaltar oradores em público. Essas pompas e
grandiloquências, observadas à volta de alguns oradores famosos, é bem a
repetição dos faustos do cristianismo sem o Cristo.
A rigor,
se alguém vem a público dizer que um orador é "maravilhoso",
"fantástico", "brilhante", "inesquecível",
"insubstituível" e outras bajulices, logicamente está elogiando e
jamais estimulando ou motivando tal “homenageado”.
Por essas
razões, importa vigiarmos as próprias manifestações, não nos julgando indispensáveis
e preferindo a autocrítica ao autoelogio, recordando que o exemplo da humildade
é a maior força para a nossa transformação moral. “Toda presunção evidencia
afastamento do Evangelho.” (4)
É
imprescindível não elogiar (adular) as pessoas que estejam agindo de
conformidade com as nossas conveniências, para não lhes criar empecilhos à
caminhada enobrecedora, embora nos constitua dever prestar-lhes assistência e
carinho para que mais se agigante nas boas obras. O elogio (adulação) é peçonha
em forma verbal. Por essa razão, não esqueçamos que “ainda quando provenha de
círculos bem-intencionados, urge recusar o tóxico da lisonja, pois no rastro do
orgulho, segue a ruína.” (5)
Referências
bibliográficas:
(1)‘Disponível
no site
http://super.abril.com.br/blogs/cienciamaluca/o-que-a-gente-valoriza-mais-sexo-dinheiro-comida-alcool-amigos-ou-elogios
acessado em 24/03/2011
(2)
Xavier, Francisco Cândido. Fonte Viva, ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de
Janeiro: Ed FEB, 2000, Cap 37
(3)
Xavier, Francisco Cândido. Saudação do Natal – Mensagem “Trilogia da vida”,
ditado pelo espírito Cornélio Pires , SP: Editora CEU, 1996
(4)
Vieira, Waldo. Conduta Espírita, ditado pelo espírito André Luiz, Rio de
Janeiro: Ed FEB, 1972, Cap 18
(5) Idem
cap 20