terça-feira, abril 16, 2013
O espírito crítico de Deolindo.
O espírito crítico de Deolindo.
Deolindo Amorim nasceu no dia 23 de janeiro de 1908, embora em seus
documentos conste 1906, na cidade de Baixa Grande, Estado da Bahia e
desencarnou no Rio de Janeiro, em 24 de abril de 1989. Filho de Deolindo
Antonio de Amorim e Maria Flora de Amorim casou-se com Delta dos Santos Amorim,
com quem teve os filhos: Paulo Henrique Amorim (jornalista e correspondente no
exterior), e Marília dos Santos Amorim.
Nascido em família católica, converteu-se ao protestantismo, pela Igreja
Presbiteriana da Bahia, nos anos de 1925/1926, tendo participado na grande
campanha que os Crentes Evangélicos realizaram no Sul da Bahia em defesa da
liberdade Religiosa, contra as emendas que na época se discutiam no Congresso
Nacional. Chegou a ser selecionado para estudar em seminário evangélico para
ser pastor, mas não chegou a fazer profissão de fé. Deixou o protestantismo ao
ser admoestado por um pastor, quando lia um livro de literatura não-evangélica,
com as seguintes palavras: Olhe, meu irmão, quem se dedica ao Ministério do
Senhor, deve desprezar todas essas coisas.
Autodidata, sua vocação pela literatura manifestou-se cedo. Seus
primeiros trabalhos sobre temas evangélicos foram editados quando contava 17
anos de idade, numa publicação protestante de Canavieiros, Bahia, denominada Noroeste
Evangélico. Porém, foram anos de procura; tornou-se agnóstico, mas dúvidas
e depressões estavam sempre presentes. Até que em 1935, foi convidado por um
amigo, para assistir a uma reunião no Centro Espírita Jorge Niemeyer, no
Rio de Janeiro, cidade onde morava desde quando serviu o Exército. Deolindo não
só gostou da palestra e dos conceitos ali ouvidos, como tornou-se frequentador
assíduo do Centro, passando a estudar também as obras básicas. Na primeira
eleição, realizada após a sua conversão, foi eleito 1º Secretário da Entidade.
Aos 23 anos, já exercia atividades jornalísticas. No Rio colaborou com o
Jornal do Comércio, passando depois para A Vanguarda. E, já, como
jornalista profissional sindicalizado passou para O Radical. Foi fiel ao
jornalismo até o fim de sua vida física.
Com sua vasta cultura e talento, somados à humildade que lhe era
peculiar, foi redator do Mundo Espírita, jornal lançado no Rio de
Janeiro, depois transferido para Curitiba, Paraná, e foi seu correspondente no
Rio até os últimos dias de vida física. Colaborou com a maioria dos jornais e
revistas espíritas do Brasil e exterior.
Em 1939, juntamente com Lins de Vasconcelos, participou da Coligação
Pró-Estado Leigo. Foi também em 1939, em 15 de novembro, quando o Brasil
comemorava o cinquentenário da Proclamação da República, que instalou e
presidiu o I Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores Espíritas.
Em 1948, juntamente com Leopoldo Machado e outros confrades, organizou o
I Congresso de Mocidades Espíritas do Brasil. Foi secretário do 2º
Congresso Espírita Pan-Americano, realizado no Rio de Janeiro, em 1949 e,
posteriormente, eleito secretário da Confederação Espírita Pan-Americana
(CEPA), durante o triênio em que esta Organização Internacional funcionou no
Brasil. Deolindo Amorim lançou, no Brasil, métodos didáticos para a divulgação
do Espiritismo e, com este objetivo, fundou a Faculdade de Estudos Psíquicos,
que por sua vez, seria sucedida pelo Instituto de Cultura Espírita do Brasil
(ICEB). Enquanto viveu, foi seu presidente. Dedicou os melhores anos de sua
vida ao ICEB, implantando, ali, os Cursos Regulares do Espírito, como
preconizava Allan Kardec.
Escreveu, entre outros, os livros: O Espiritismo e as Doutrinas
Espiritualistas; Espiritismo e Criminologia; Africanismo e
Espiritismo; Ideias e Reminiscências Espíritas; O Espiritismo e
os Problemas Humanos; O Espiritismo à Luz da Crítica e os opúsculos O
Sentido Imortalista do Pensamento de Leôncio Correia; 18 de Abril − Grande
Data Espírita; Allan Kardec − o Homem, a Época, o Meio, as Influências,
a Missão e O Pensamento Filosófico de Léon Denis.
Muitas de suas obras foram vertidas para diversos idiomas. Teve, também,
alguns livros escritos em parceria com outros confrades e, após a sua
desencarnação, mais alguns foram publicados, por iniciativa do jornalista e
escritor espírita Celso Martins, que tem feito meticulosa pesquisa na imprensa
nacional, reunindo os trabalhos de Deolindo e enfeixando-os em livros.
Formado em Sociologia pela Faculdade Nacional de Filosofia, da
Universidade do Brasil, Deolindo Amorim possuía também os diplomas dos cursos
de técnico de publicidade e de serviços sociais, além de ter sido funcionário
do Ministério da Fazenda, onde ocupou altos cargos. Foi também membro da
Academia de Letras do Estado do Rio de Janeiro, da Sociedade Brasileira de
Filosofia, do Instituto Histórico e Geográfico da Bahia e da Associação
Brasileira de Imprensa.
Ainda, no VI Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores
Espíritas, realizado em julho de 1976, em Brasília, foi fundada a
Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas (ABRAJEE), ideal
que ele e outros confrades acalentavam há anos. Deolindo foi o 1º Presidente
dessa entidade.
Não é sem razão que Deolindo Amorim é o escritor e jornalista espírita
brasileiro mais difundido no exterior. Sua cultura e dinamismo, a maneira clara
de colocar os conceitos da Doutrina para o público, aliados à sua humildade,
respondem por seu sucesso nos quatro cantos do mundo e, certamente, também no
Plano Espiritual.
Artigo de Astolfo Olegário Oliveira Filho, responsável pelo portal
"O Consolador".
