segunda-feira, abril 29, 2013
Uma visão contemporânea de Kardec
Uma visão contemporânea de Kardec
Carlos de Brito Imbassahy
Físico e Escritor Espírita.
Conta-nos a História, reforçada pelos estudos da
Antropologia que o mundo fora formado sem qualquer tipo de vida e que poderia
ter surgido de diversas maneiras, sendo que a primeira delas seria a hipótese
de um meteorito tê-la atingido com algum ser orgânico resistente à queda; e a outra,
na qual se baseou Kardec, teria sido a ação de forças paranormais (termo atual)
atuantes sobre as cadeias carbônicas existentes nos resíduos de água do
planeta, estruturando-a sob a forma de vida primitiva pré planctoneana.
Muitos negam esta hipótese julgando-a como sendo de
"geração espontânea", mas o fato é que, de acordo com pesquisas de
Murray Gell Maan - o descobridor dos quarks - em 1975, no fermilab (acelerador
de partículas) da Stanford University, admite que, para ser formada, a partícula
precisa de que um agente externo ao domínio energético (antigo FCU de Newton)
atua sobre a dita energia cósmica e estruturando-a sob a forma de matéria.
Já Einstein houvera dito (1905) que a matéria, sendo
efeito da condensação de energia, não podia ser causa de nada, acabando com as
teses materialistas.
O fato, todavia, é que, para chegarmos aos humanoides,
vamos encontrar um enorme ciclo evolutivo de espécies de vida, a partir da
vegetal que se dividira inicialmente em dois tipos - fito e zoo - origem de
cada ser quer vegetal, quer animal.
O homem atual, de acordo com a Biologia, é o que seria
o encontro do homo sapiens com o antropopitecus, mas o fato é que ele não veio
de nenhuma placa de barro juntada pelo Deus bíblico - classificado como um
incompetente pelos hereges e um ser antropomórfico (fomos feitos à sua imagem e
semelhança) pelos reacionários religiosos.
Seja como for, a verdade é que o mundo não foi
geologicamente feito como hoje se apresenta e muito menos evolutivamente tenha
tido uma formação já avançada de seres desde seus primórdios existenciais.
Tudo se dá através da evolução e o principal exemplo é
o fato de termos hoje no domínio da computação aparelhos inconcebíveis na era
do holerite que gerou a informática.
Quando Allan Kardec, professor da escola de Pestalozzi
fora convidado para analisar e estudar os fenômenos da manifestação do
"morto" ele não supunha que, de suas obras surgiria uma doutrina
revolucionária, como a Espírita.
Estes estudos foram inicialmente introduzidos em
França por Pierre Simon Ballanche (1776-1847) que simultaneamente com Charles
Bonett na Suíça, trouxeram da Grécia um estudo conhecido como Palingenesia e
que admitia que o ser espiritual capaz de dotar vida a um corpo poderia fazê-lo
ou tê-lo feito em outro corpo, com a mesma personalidade espiritual.
Toda origem grega era procedente das velhas castas do
Egito. Balanche, frequentador assíduo do Salão "Abbaye-au-Bois" da
Mme Récamier (Jeanne Francoise Julie Adélaïde Bernard) esposa do banqueiro
Récamier, salão onde se reuniam, dentre outros Chateaubriand, nosso Benjamim
Constant. Mme de Stael, e era festivo e literário, de modo que os estudos
reencarnacionistas, a princípio, apenas, serviram como conhecimento simples da
cultura grega, mas foi de suas portas que ele veio para o conhecimento da
cidade luz.
Kardec, portanto, só teve o trabalho de tomar
conhecimento desses fatos para, então, sob a forma didática e com os
conhecimentos restritos da época, formular a teoria da evolução espiritual no
sistema reencarnacionista ou palingênico.
Não queiramos que ele, sem, sequer o conhecimento da
divisão da molécula em átomos, surgida no fim do século em que vivera, viesse a
escrever e descrever a vida dentro da teoria quântica e supor que a energia
espiritual (hoje dita paranormal) tivesse direta influência na matéria para
dar-lhe forma e integrá-la dentro de um circuito de vida compatível com um
corpo supostamente dito espiritual de um Ente entranho à matéria.
Foi assim que ele manteve o conceito de fluido cósmico
universal (FCU) implantado por Newton e não cogitou na ação energética
espiritual de modo quântico sobre o corpo estruturado a partir de linhas de
força do campo espiritual nem pôde supor que a personalidade do Espírito
tivesse atributos completamente distintos dos que se apresentava tolhido pela
sua mente material.
Hoje em dia, seu estudo está sendo destruído por duas
correntes fortíssimas, uma chefiada pela falange jesuítica que usa a tática de
tentar transformar a codificação em mais uma seita igrejista, evangélica,
altamente disseminada, e a outra a dos ditos "materialistas
contemporâneos" que tentam provar que o Espírito não existe, sendo,
somente, uma forma espectral de energia, a mesma dita quântica que se condensa
para formar a matéria em si ou para produzir
fenômenos da série física (desde o som, calor,
eletricidade, radio-transmissão, luz, emissões catódicas e raios cósmicos).
Só que encontram estes últimos, um sério obstáculo,
que é o de justificar o raciocínio da mente animal e até mesmo as reações
vegetais, enquanto que os igrejistas têm larga margem de êxito explorando a
crença na fé religiosa do Cristo, que nunca foi Cristo - do sânscrito: Krishna,
o Ente supervisor do mundo - mas um ser humano de elevada condição moral e
espiritual, sem dúvida, excelente exemplo para a criatura humana só que,
restrito aos ocidentais que não formam a maioria dos povos.
Ora, pois, exigir de Kardec que, antes de se conhecer
o átomo, ele descrevesse a energia como fundamento da vida, seria impor-lhe um
poder miraculoso tipo Nostradamus.
Mas Espiritismo é, apenas, Kardec e seus seguimentos,
ou seja, os novos estudos que se apoiam nas suas teses fundamentais, mesmo que
erradas; o que se pode fazer é mostrar a nova posição do conhecimento atual
perante o de sua época.
Mudar, porém, a linha de raciocínio, transformar sua
doutrina numa nova forma dita cristã-evangélica ou tentar acabar com ela sob a
alegação de que não exista Espírito, apenas, demonstra que o Espiritismo ainda
é uma verdade, embora restrita ao século XIX que pode alterar o comportamento
humano desde que atualizada, nos fundamentos, porem no conhecimento atual da
fenomenologia em si.
Como exemplo, usarmos espectrômetros para provar a
existência do fantasma como campo de vida estranho aos presentes, medir as
correntes de energia do local das ditas aparições e verificar que há, sem
dúvida, campos estranhos no ambiente; enfim, dar prosseguimento aos estudos suecos
da "pesagem da alma" ou o psicossoma pesquisado pelos russos, enfim,
usar toda tecnologia computadorizada para verificar a realidade dos fenômenos
que Kardec descrevera de forma precária, como inexplicáveis.
E, então, teremos uma verdadeira atualização
doutrinária no campo científico, como prenunciara o próprio codificador ao
definir o Espiritismo no preâmbulo do seu livro "O Que é o
Espiritismo" e que os igrejistas, os roustainguistas e demais
"religiosos" teimam em ignorar.
Fonte: http://www.abrade.com.br/site/doc/ID_94_Visao%20contemporanea%20Imbassahy.pdf