quarta-feira, maio 01, 2013
Necessidade da reencarnação
Necessidade
da reencarnação
(Revista
Espírita, fevereiro de 1864 - Dissertações espíritas)
(Sociedade
Espírita de Sens - Médium Sr. Percheron)
Deus quis
que o Espírito do homem fosse ligado à matéria para sofrer as vicissitudes do
corpo com o qual se identifica a ponto de ter a ilusão e de tomá-lo por si
mesmo, quando não passa de sua prisão passageira. É como se um prisioneiro se
confundisse com as paredes de sua cela.
Os
materialistas são muito cegos por não se aperceberem de seu erro, pois se
quisessem refletir um pouco seriamente, veriam que não é pela matéria de seu
corpo que se podem manifestar; veriam que, considerando-se que a matéria desse
corpo se renova continuamente, como a água de um rio, não é senão pelo Espírito
que podem saber que são sempre eles próprios.
Suponhamos
que o corpo de um homem que pesasse sessenta quilos assimile, para a reparação
de suas forças, um quilo de nova substância por dia, para substituir a mesma
quantidade de antigas moléculas de que se separa e que realizaram o papel que
lhes tocava na composição de seus órgãos. Ao cabo de sessenta dias a matéria
desse corpo se acharia, então, renovada. Nesta suposição, cujos números podem
ser contestados, mas verdadeira em princípio, a matéria do corpo se renovaria
seis vezes por ano. O corpo de um homem de vinte anos, assim, já se teria
renovado cem vezes; aos quarenta, duzentas e quarenta vezes; aos oitenta,
quatrocentas e oitenta vezes. Mas o vosso Espírito ter-se-á renovado? Não, pois
tendes consciência de que sois sempre vós mesmos. É, pois, o vosso Espírito que
constitui o vosso eu, e por intermédio do qual vós vos afirmais, e não o vosso
corpo, que não passa de matéria efêmera e mutável.
“Os
materialistas e panteístas dizem que as moléculas desagregadas depois da morte
do corpo retornam todas à massa comum de seus elementos primitivos, e o mesmo
se dá com a alma, isto é, com o ser pensante, em vós. Mas que sabem eles disso?
Há uma massa comum de substância que pensa? Eles jamais o demonstraram, e é o
que deveriam ter feito antes de afirmar. Da parte deles, portanto, não passa de
uma hipótese. Ora, considerando-se que durante a vida do corpo as moléculas se
desagreguem várias centenas de vezes, ficando o Espírito sempre o mesmo,
conservando a consciência de sua individualidade, não é mais lógico admitir que
a natureza do Espírito não é de se desagregar? Por que então se dissolveria
após a morte do corpo e não antes?
“Após esta
digressão dirigida aos materialistas, volto ao meu assunto. Se Deus quis que as
criaturas espírituais fossem momentaneamente unidas à matéria é, repito, para
fazê-las sentir e, por assim dizer, sofrer as necessidades que a matéria exige
de seus corpos para sua conservação. Dessas necessidades nascem as vicissitudes
que vos fazem sentir o sofrimento e compreender a comiseração que deveis ter
por vossos irmãos na mesma posição. Esse estado transitório é, pois, necessário
à progressão do vosso Espírito, que sem isto ficaria estagnado.
As
necessidades que o corpo vos faz experimentar estimulam o vosso Espírito e o
forçam a procurar os meios de provê-las, e desse trabalho forçado nasce o
desenvolvimento do pensamento. Constrangido a presidir os movimentos do corpo
para dirigi-los visando a sua conservação, o Espírito é conduzido ao trabalho
material e daí ao trabalho intelectual, necessários um ao outro e um pelo
outro, pois a realização das concepções do Espírito exige o trabalho do corpo,
e este não pode ser feito senão sob a direção e o impulso do Espírito. Tendo
assim o Espírito adquirido o hábito de trabalhar, constrangido pelas
necessidades do corpo, o trabalho, por sua vez, se lhe torna uma necessidade,
e, quando desprendido de seus laços, ele não precisa pensar na matéria, mas
pensa em trabalhar-se a si mesmo, para o seu adiantamento.
Agora
compreendeis a necessidade para o vosso Espírito de ser ligado à matéria
durante uma parte de sua existência, para não ficar estacionário.
Teu pai,
PERCHERON
assistido
pelo Espírito de PASCAL
OBSERVAÇÃO:
A estas observações, perfeitamente justas, acrescentaremos que, trabalhando
para si mesmo, o Espírito encarnado trabalha para o melhoramento do mundo em
que ele habita.
Assim, ele ajuda em sua transformação e no seu progresso
material, que estão nos desígnios de Deus, de que ele é o instrumento
inteligente.
Na sua sabedoria previdente, quis a Providência que tudo se
encadeasse na Natureza; que todos, homens e coisas, fossem solidários.
Depois,
quando o Espírito tiver realizado a sua tarefa, quando estiver suficientemente
adiantado, gozará dos frutos de suas obras.