quinta-feira, agosto 22, 2013
LÁ e CÁ
LÁ e CÁ
Um dos
aspectos mais reconfortantes do Espiritismo é que ele nos permite compreender o
que de fato somos, o que fazemos aqui, porque aqui estamos e de onde viemos e
para onde vamos.
Mas sobre
isto falaremos mais adiante. Por ora, eu gostaria de convidá-los amigos
leitores a seguinte reflexão, com a devida licença poética.
Quando nós
estamos do lado de lá, no plano espiritual, somos todos um pouco romancistas,
deixe-me fazer entender, porque, no tempo devido nós como que elaboramos uma
bonita história, a mais bonita possível que desejamos com fidelidade e a maior
de nossa boa vontade e o melhor de nossos esforços, interpretar na nossa
próxima reencarnação que se aproxima.
Então, nós
visualizamos as melhores situações possíveis que nos permitam o nosso
crescimento espiritual, nossa evolução moral, de acordo com as necessidades,
porque enquanto nós estamos na erraticidade, que é aquele período entre uma
encarnação e outra, nós respondemos exclusivamente ao tribunal da nossa
consciência, que geralmente nos acusa.
E tal
situação nos angustia nos faz remoermos de arrependimento e encararmos aquilo
que imaginávamos ter escondido para sempre no tapete do esquecimento.
Enfim,
quando escrevemos uma página de nossas vidas e ao lermos a dita cuja e não nos
darmos por satisfeito, só nos resta mesmo é reescrevê-la. E por uma única
razão.
Porque
necessitamos crescer espiritualmente, evoluir moralmente é o nosso maior
objetivo, porque daquele ponto onde nos encontramos no plano espiritual, nós
como que podemos ver e entender a vida do alto de uma montanha, digamos assim,
abarcando tudo, passado, presente e futuro, causas e efeitos de nossa situação
espiritual.
Mas aí,
graças a Deus, (e às vezes nos custa muito entender e aceitar isso) surge
oportunidade de uma nova experiência humana, uma nova tentativa de progresso
espiritual.
Roteiro
estabelecido, malinha pronta, eis que caímos no esquecimento e nos vemos de
novo no cenário da vida humana, que, para nós, passa a ser a realidade. A
realidade possível nessa dimensão da vida. E não demora que a gente perceba
como tudo é tão difícil e diferente daquilo que havíamos planejado. E então o
que nos resta de toda aquela consciência bonita que tínhamos no plano
espiritual é a vontade de ser feliz.
Mais que
uma vontade uma necessidade, porque desejar ser feliz é uma benção divina comum
a todos nós.
Mas à
medida que vivemos na condição humana surgem os obstáculos, e estes passam a serem
não mais desafios, estímulos ao nosso crescimento espiritual, mas, injustiça,
pura maldade da vida para conosco, porque, afinal, coitadinhos de nós, não é
mesmo? Somos tão bonzinhos, que fizemos para merecer tanta contrariedade, tanto
sofrimento?
Porém, há
uma passagem do Evangelho, que geralmente esquecemos, e quando nos deparamos
com ela, agimos como a criança que faz cara feia diante do remédio amargo que
poderá curá-la. É aquela passagem em que Nosso Senhor Jesus Cristo em outras
palavras diz: Se quer seguir-me, negue-se, tome a sua cruz e me siga. (Mateus
16:23).
Notem bem:
ele não disse: olha, fica aí sentadinho lendo as escrituras sagradas. Não
disse: ajoelhe-se e reze, reze muito e acenda a todas as velas possíveis. Não.
Ele disse: tome a sua cruz e me siga.
Tragamos a
situação para os nossos dias: imagine uma pessoa que sai para executar uma
tarefa. Antes, porém, ela procura saber exatamente do que se trata, procura
obter o maior número possível de informações a respeito do que pretende realizar.
Prepara-se fisicamente, psicologicamente, estuda, reúne os materiais
necessários ao desempenho da sua missão, faz provisões... Eu pergunto: qual a
chance dessa pessoa ser bem sucedida? E a resposta é: bastante grande. Agora
pense em uma equipe de futebol formada por 11 craques de bola, mas que não
treina, não conversa, não se prepara, não estuda o adversário. Qual a chance
dela ganhar um campeonato, por melhor que seja?... Nenhuma. Porque, uma equipe
assim, pode ganhar alguns jogos, jamais um campeonato.
Onde quero
chegar, você deve estar se perguntando. Aí nos vamos à questão 919 de O Livro
dos Espíritos: Qual o meio mais eficaz para melhorarmos nesta vida e
resistirmos às solicitações do Mal. E a resposta: Um sábio da Antiguidade vos
disse: conhece-te a ti mesmo.
Meus
irmãos... Conhecer-te a ti mesmo, esse é o primeiro passo, conhecermo-nos a nós
mesmos. Porque se não sei o que sou, que faço aqui, de onde venho e para onde
vou, não será apenas com boa vontade, por maior que ela seja que terei equilíbrio,
força e sabedoria o bastante para crescer espiritualmente, evoluir moralmente.
Porque, não se enganem a felicidade, a paz, a justiça, não são dádivas do
Criador, são conquistas advindas do nosso merecimento só possível mediante
nosso esforço e nossa busca não por juntar valores materiais que a traça corrói
e o ladrão rouba, mas aqueles que podemos levar conosco onde quer que
estejamos, porque de fato nos pertence, pois estão em nossa mente e em nosso
coração: ou seja, o conhecimento adquirido, a moral desenvolvida.
Então,
antes de saber o que é Deus, precisamos saber o que somos nós. Em O Livro dos
Espíritos, questão 76: que definição se pode dar dos Espíritos? Resposta: são
os seres inteligentes da Criação. Povoam o Universo fora do mundo material.
É errado
dizermos então que Espíritos são a humanidade do lado de lá? Não, não é. Então
somos Espíritos? Sim. E constituímos por assim dizer a humanidade do lado de
cá, enquanto vivemos a experiência da vida humana.
Ou seja,
não importa nossa situação momentânea ou onde estejamos nós sempre seremos
Espíritos. Mas, humanos, nem sempre. Embora, nós estaremos nesta condição, a
qual estamos hoje, e ainda estaremos sabe-se lá quantas vezes ainda.
E qual a
finalidade de se reencarnar?
Ora,
crescer espiritualmente, evoluir moralmente, como já foi dito.
Alguma
outra? Sim!
Deus,
porque é Bom, e é nosso Pai, nosso Criador, quer que nos ajudemos uns aos
outros, de modo que caberá sempre ao mais forte cuidar do mais fraco, conforme
Jesus ensinou. E isso por um único motivo: Nós todos somos Irmãos.
Irmãos?
Ora, bolas, como eu posso considerar meu irmão um sujeito que professa do outro
lado do mundo, por exemplo, a fé islâmica que ensina o olho por olho dente por
dente, tão diferente da minha que ensina a fazer o bem sem olhar a quem e a
perdoar sempre?
Se Irmãos,
de onde vêm as nossas diferenças?
Ora, vem
das nossas escolhas, porque não se esqueçam, nós somos livres e nos aproximamos
ou nos distanciamos das pessoas conforme as nossas afinidades.
Bem: então
sabemos que somos um Espírito, ou seja, um ser inteligente, criado por Deus,
que é a Inteligência Suprema Causa Primaria de todas as coisas. Viemos do plano
espiritual, que é nossa pátria mãe, para a Terra, que é um mundo escola, para
aprender a evoluir espiritualmente, nos corrigirmos moralmente, nos
reconciliarmos com nosso desafeto, adquirir conhecimento, aprender, através de
tentativa e erro, que nossas ações resultem em benefício para nós e para nosso
semelhante, e, assim, para a sociedade humana a qual pertencemos
momentaneamente.
E como é
que se consegue isso? Apenas orando, apenas lendo as Escrituras? Não! Mas
tomando cada um a sua cruz, que aqui não quer dizer necessariamente causa de
sofrimento e dor, mas de iniciativa, trabalho, e fé com obras, porque nos
lembra o apóstolo Paulo de Tarso que a fé sem obras é morta.
Ou seja:
Nós, espíritas, com ânimo e esperança na Boa Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo,
temos que ter a exata consciência de que somos Espíritos e que estamos na
Terra, para uma oportunidade de crescimento espiritual. Estamos aqui com data e
hora de chegada e de partida, ainda que não saibamos a derradeira. E que
terminada essa experiência humana, essa oportunidade de nos melhorarmos, mais
uma, voltaremos a nossa Pátria Espiritual, nossa origem. E ninguém que tenha
semeado o Bem colherá o Mal.
Nós,
Espíritos, filhos de Deus, o Criador, o soberanamente justo e bom, onisciente
(ou seja, tudo vê), onipresente (está por toda parte), perfeito e imutável,
eterno, causa primária de todas as coisas, inclusive de nós, Espíritos.
Nós,
Espíritos: eternos, indestrutíveis, centelhas de Luz, que pensamos, porque
somos seres inteligentes, que desejamos, porque temos o Poder sobre nossas
vidas, e que agimos, porque somos livres e capazes de construirmos nossa paz e
nossa felicidade.
Geraldo
José Costa Junior.
Escritor e
jornalista de Rio Claro e dirigente espírita.
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