sexta-feira, agosto 09, 2013
O PASSE NUMA SUCINTA ANOTAÇÃO ESPÍRITA
O PASSE
NUMA SUCINTA ANOTAÇÃO ESPÍRITA
O biólogo
Ricardo Monezi, mestre em fisiopatologia experimental pela Faculdade de
Medicina da USP e pesquisador da unidade de Medicina Comportamental da Unifesp,
estudou a fundo a técnica de imposição de mãos [passe]. Lembramos que na
atualidade o passe é empregado por outras religiões, que o apresentam sob nomes
e aparências diversas (benção, unção, johrei, heiki, benzedura), além do quê,
pessoas sem qualquer relação com movimentos religiosos também o empregam.
Para
Monezi, os dados preliminares apontam que a prática do passe gera mudanças
fisiológicas e psicológicas, como a diminuição da depressão, da ansiedade e da
tensão muscular, além do aumento do bem-estar e da qualidade de vida.
Ressaltamos que a Doutrina dos Espíritos clarifica melhor e explica as funções
do perispírito, que “é o órgão sensitivo do Espírito, por meio do qual este
percebe coisas espirituais que escapam aos sentidos corpóreos”(1), além de o
mesmo interagir de forma profunda com o corpo biológico, razão pela qual as
energias transmitidas pelo passe e recebidas inicialmente pelos centros de
força(2), atingem o corpo físico através dos plexos (3), proporcionando a
renovação das células enfermas.
“Assim
como a transfusão de sangue representa uma renovação das forças físicas, o
passe é uma transfusão de energias psíquicas, com a diferença de que os
recursos orgânicos (físicos) são retirados de um reservatório limitado, e os
elementos psíquicos o são do reservatório ilimitado das forças espirituais.” –
explica o Espírito Emmanuel.(4) Recordemos que Jesus utilizou o passe
"impondo as mãos" sobre os enfermos e os perturbados espiritualmente,
para beneficiá-los. E ensinou essa prática aos seus discípulos e apóstolos, que
também a empregaram largamente. Entretanto, é nas hostes espíritas que o passe
é melhor compreendido, mais largamente difundido e utilizado, “dispensando
qualquer contato físico na sua aplicação.”.(5)
Segundo
Ricardo Monezi, “um dos centros que avaliam o assunto é a respeitada
Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. A física atual não consegue classificar
a natureza dessa força, mas vários estudos indicam que se trata de energias
eletromagnéticas de baixa frequência.".(6) Tiago escreveu: “toda boa
dádiva e dom perfeito vêm do Alto”.(7) Sim, as energias magnéticas e a prática
do bem podem admitir as expressões mais diferentes. Suas essências, contudo,
são continuamente as mesmas diante do Soberano da Vida.
Os passes
poderão ser espirituais, em função do magnetismo provindo de irmãos
desencarnados que participam dos processos, e humanos, através do magnetismo
animal do próprio passista encarnado. “A cura se opera mediante a substituição
de uma molécula malsã por uma molécula sã. O poder curativo estará, pois, na
razão direta da pureza da substância inoculada; mas depende, também, da
energia, da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão
fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido.”.(8) É
importante explicar, porém, que o tratamento espiritual através do passe,
oferecido na Casa Espírita, não dispensa tratamento médico.
Infelizmente
toda a beleza das lições espíritas, que provém da fé racional no poder das
energias magnéticas pelo passe, desaparece ante as ginásticas pretensiosas e
burlescas de tratamentos espirituais atualmente praticados em algumas
instituições espíritas mal dirigidas. O passe não poderá, em tempo algum, ser
aplicado com movimentos bruscos, utilizando-se malabarismos manuais, estalos de
dedos, cânticos estranhos e, muito menos ainda, estando incorporado e,
psicofonicamente, verbalizando “aconselhamentos” para o receptor. Isso não é
prática espírita.
“O passe
deverá sempre ser ministrado de modo silencioso, com simplicidade e
naturalidade.”.(9) Na casa espírita não se admitem as encenações e
gesticulações em que hoje se envolveram terapias esquisitas tais como
apometrias, desobsessão por corrente magnética,“choques anímicos”,
cristalterapias (poderes das pedras???), cromoterapias (poderes das cores???) e
outras “terapias” mitológicas, geralmente atreladas a antigas correntes
espiritualistas do Oriente ou de origem mística, ilusionista e feiticista. É
sempre bom lembrar a tais adeptos fervorosos que todo o poder e toda a eficácia
do passe genuinamente espírita dependem do espírito e não da matéria, da
assistência espiritual do médium passista e não dele mesmo.
Por
conseguinte, na aplicação do passe não se fazem necessários a gesticulação
violenta, a respiração ofegante ou o bocejo contínuo, e que também não há
necessidade de tocar o assistido. “A transmissão do passe dispensa qualquer
recurso espetacular”.(10) As encenações preparatórias – “mãos erguidas ao alto
e abertas, para suposta captação de fluidos pelo passista, mãos abertas sobre
os joelhos, pelo paciente, para melhor assimilação fluídica, braços e pernas
descruzados para não impedir a livre passagem dos fluidos, e assim por diante –
só servem para ridicularizar o passe, o passista e o paciente.”.(11) A formação
das chamadas “correntes” mediúnicas, com o ajuntamento de médiuns em torno do
paciente, “as ‘correntes’ de mãos dadas ou de dedos se tocando sobre a mesa –
condenadas por Kardec – nada mais são do que resíduos do mesmerismo do século
XIX, inúteis, supersticiosos e ridicularizantes.”.(12)
O passe é
prece, concentração e doação. “A oração é prodigioso banho de forças, tal a
vigorosa corrente mental que atrai”.(13) Por ela, consegue o passista duas
coisas importantes e que asseguram o êxito de sua tarefa: expulsar do próprio
mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da atividade comum durante
o dia de lutas materiais; Sorver do plano espiritual as substâncias renovadoras
de que se repleta, a fim de conseguir operar com eficiência, a favor do próximo
presente ou distante do local de sua aplicação.
Em que
pese aos místicos que ainda não compreendem e criam confusões ao aplicarem o
passe, reconhecemos que muitos encarnados e desencarnados são beneficiados por
ele, pois sabemos que é manifestação do amor de Deus, esse sentimento sublime
que abarca a todos e os alivia. Importa-nos lembrar, porém, um pensamento
Xavieriano: o passe, tal como terapia, não modifica necessariamente as coisas,
para nós, mas pode modificar-nos a nós em relação às coisas.
Jorge
Hessen
http://jorgehessen.net
Referências
Bibliográficas:
(1)
Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(2) Os centros de força são o Centro Coronário
(se assenta a ligação com a mente que é sede da nossa consciência); .Centro
Frontal (atua sobre as glândulas endócrinas, sobre o sistema nervoso); Centro
Laríngeo (controla as atividades vocais, do timo, da tiróide e das
paratireóides, controlando totalmente a respiração e a fonação); Centro
Cardíaco (responsável por todo o aparelho circulatório); Centro Esplênico
(regula o sistema hemático) ; Centro Solar ou Gástrico (responsável pela
digestão e absorção dos alimentos sólidos e fluidos) ; Centro Genésico
(orientador da função exercida pelo sexo)
(3) Os plexos são constituídos pelo nosso
sistema nervoso autônomo ou vegetativo e neles haveria, digamos assim, centrais
irradiantes, os chamados centros de forças.
(4) Xavier, Francisco Cândido. O Consolador,
ditado pelo espírito Emmanuel, Rio de janeiro: Ed FEB, 2000, perg. 98
(5) Idem, perg 99
(6) Disponível
em <
http://mdemulher.abril.com.br/bem-estar/reportagem/viver-bem/cientistas- exploram-poder-cura-energia-maos-640628.shtml
> acessado em 03/11/2011
(7)
Tiago 1:17
(8)
Kardec, Allan. A Gênese, RJ: Ed. Feb, 29ª edição, 1986, cap. XIV
(9) Kardec, Allan. Obras Póstumas, RJ: Ed. Feb,
1987, cap. VI, item 54
(10) Waldo Vierira. Conduta Espírita , ditado
pelo espírito André Luiz, RJ: Ed FEB, 1998, Cap. 28
(11) Pires, José Herculano. Artigo “O Passe” disponível
emhttp://www.espirito.org.br/portal/publicacoes/herculano/opd-12.html>
acessado em 07/11/2011
(12) Idem
(13) Xavier, Francisco Cândido. Nos Domínios da
Mediunidade, ditado pelo Espírito André
Luiz, RJ: Ed FEB, 2000, Cap.17
http://jorgehessen.net/page57.php