sábado, agosto 03, 2013
SENHOR PALHA
SENHOR
PALHA
Era uma
vez, há muitos e muitos anos atrás, um homem chamado Senhor Palha. Ele não
tinha casa, nem mulher, nem filhos para dizer a verdade, só tinha a roupa do
corpo. Pois o Senhor Palha não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha o que
comer e era magrinho como um fiapo de palha. Por isso é que as pessoas o
chamavam de Senhor Palha.
Todo dia o
Senhor Palha ia ao templo pedir à Deusa da Fortuna para melhorar sua sorte, e
nada acontecia. Até que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:
- "A
primeira coisa que você tocar quando sair do templo lhe trará grande
fortuna." O Senhor Palha levou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta,
mas viu que estava bem acordado e o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu
pensando: "Eu sonhei ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?" Na
dúvida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte.
Mas na
pressa, o pobre Senhor Palha tropeçou nos degraus e foi rolando aos trambolhões
até o final da escada, onde caiu na terra. Ao se pôr de pé, ajeitou as roupas e
percebeu que tinha alguma coisa na mão. Era um fiapo de palha.
"Bom",
pensou, "um fiapo de palha não vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis
que eu pegasse, é melhor guardar."
E lá foi
ele, segurando o fiapo de palha.
Pouco
depois apareceu uma libélula zumbindo em volta da cabeça dele. Tentou
espantá-la, mas não adiantou. A libélula zumbia loucamente ao redor da cabeça
dele.
"Muito
bem", pensou ele. "Se não quer ir embora, fique comigo."
Apanhou a
libélula e amarrou o fiapo de palha no rabinho dela. Ficou parecendo uma
pequena pipa, e ele continuou descendo a rua com a libélula no fiapo.
Logo
encontrou uma florista com o filhinho, a caminho do mercado, onde iam vender
flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, suado, e a poeira lhe
trazia lágrimas aos olhos. Mas quando o menino viu a libélula zumbindo amarrada
no fiapo de palha, seu rostinho se animou.
- Mãe, me
dá uma libélula? - pediu.
- Por
favor!
"Bom",
pensou o Senhor Palha, "a Deusa da Fortuna me disse que o fiapo de palha
traria sorte. Mas esse garotinho está tão cansado, tão suado, que pode ficar
mais feliz com um presentinho". E deu a libélula no fiapo para o garoto.
- É muita
bondade sua - disse a florista.
- Não
tenho nada para lhe da dar em troca além de uma rosa. Aceita?
O Senhor
Palha agradeceu e continuou seu caminho, levando a rosa.
Andou mais
um pouco e viu um jovem sentado num toco de árvore, segurando a cabeça entre as
mãos. Parecia tão infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que havia
acontecido.
- Vou
pedir minha namorada em casamento hoje à noite - queixou-se o rapaz.
- Mas sou
tão pobre que não tenho nada para dar a ela.
- Bom,
também sou pobre - disse o Senhor Palha.
- Não
tenho nada de valor, mas se quiser dar a ela esta rosa, é sua.
O rosto do
rapaz se abriu num sorriso ao ver esplêndida rosa.
- Fique
com essas três laranjas, por favor - disse o jovem.
- É só o
que posso dar em troca.
O Senhor
Palha seguiu andando, carregando três suculentas laranjas.
Logo
encontrou um mascate, ofegante.
- Estou
puxando a carrocinha o dia inteiro e estou com tanta sede que acho que vou
desmaiar. Preciso de um gole de água.
- Acho que
não tem nem um poço por aqui - disse o Senhor Palha
- Mas se
quiser pode chupar estas três laranjas.
O mascate
ficou tão grato que pegou um rolo da mais fina seda que havia na carroça e
deu-o ao Senhor Palha, dizendo:
- O senhor
é muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.
E o Senhor
Palha mais uma vez seguiu pela rua, como rolo de seda debaixo do braço.
Não deu
dez passos e viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado,
mas sua expressão logo se alegrou ao ver o Senhor Palha.
- Onde
arrumou essa seda? - gritou ela.
- É
justamente o que estou procurando. Hoje é aniversário de meu pai e quero dar um
quimono real para ele.
- Bom, já
que é aniversário dele, tenho prazer em lhe dar essa seda - disse o Senhor
Palha. A princesa mal podia acreditar em tamanha sorte.
- O senhor
é muito generoso - disse sorrindo.
- Por
favor, aceite esta joia em troca.
A
carruagem se afastou, deixando o Senhor Palha segurando a joia de inestimável
valor refulgindo à luz do sol.
"Muito
bem", pensou ele, "comecei com um fiapo de palha que não valia nada e
agora tenho uma joia. Acho que está bom."
Levou a
joia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma plantação de arroz.
Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a plantação produzia mais
arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.
Mas a
riqueza não o modificou. Sempre ofereceu arroz aos que tinham fome e ajudava a
todos que o procuravam. Diziam que sua sorte tinha começado com um fiapo de
palha, mas quem sabe foi com a generosidade?
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