quarta-feira, fevereiro 25, 2015

 

O ASTRAL


O ASTRAL

Ano XXI – Número 251– Distribuição Gratuita – Fevereiro 2015

Órgão Oficial de Informação do Centro Espírita Astral Superior

Declarado de utilidade pública municipal pela Lei 2.076 de 09 de Outubro de 1986

Rua 5-A nº 352 – Vila Alemã – Rio Claro – SP CEP 13 506-662

 

DAR O PÃO

 

O Delegado criticava com veemência o comportamento agressivo do mendigo:

-Você é um mau caráter! A senhora registrou um boletim de ocorrência, reclamando de sua atitude. Se ela foi tão atenciosa; se piedosamente deu-lhe um pão,porque jogou uma pedra na janela de sua casa, quebrando o vidro?

O mendigo ficou indignado.

- O doutor está enganado! Não há nenhuma pedra! Atirei foi o pão empedrado que a sovina me deu!

Bem poderíamos discorrer sobre a ingratidão ou, pior, o responder com mal ao bem que nos fazem.

Creio, entretanto, leitor amigo que seria mais oportuno destacar neste episódio uma questão constrangedora: o atendimento do pedinte que bate à nossa porta.

 Em principio as pessoas tendem a encará-lo como um importuno, que vem perturbar sua tranqüilidade ou interromper seus afazeres.

O impulso inicial, costumeiro, é informar taxativo, sufocando a consciência e amputando o vernáculo:

-Tem nada não!

Os mais “generosos” apressam-se em estender-lhe alguns centavos, interrompendo o relato de suas carências, a despachá-lo de pronto.

Quando se dispõem a “perder tempo”, vão um pouco alem, oferecendo “mimos” como surrados trapos, restos de refeição, ou empedrados pães.

Quando o infeliz é atendido por um ateu, ate se admite semelhante comportamento. Afinal, descarta a existência de Deus e a sobrevivência de alma, tudo é permitido, especialmente quando se trata de descumprir elementares deveres de solidariedade.

O lamentável é que, com raras exceções, esse comportamento é adotado por pessoas que se dizem religiosas, aprendizes do Evangelho, que deveriam, por elementar norma de comportamento, levar em consideração a recomendação de Jesus (Mateus, 7:12):

 

-Tudo o que quiserdes que os homens vos façam, fazei-o assim também a eles.

Se fôssemos nós o carente, a bater à porta, gostaríamos de ouvir incisiva negativa ou receber uma pedra em forma de pão?

É preciso cuidado para não nos enquadrarmos na melancólica observação de Jesus, lembrando o profeta Isaías (29:13):

            -... Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.

Sebastião Carlos Gomes, o querido Carlão, companheiro nas lides espíritas, costumava dizer que, se observarmos bem, notaremos que quando um pedinte passa pela quadra em que moramos tendo várias portas onde bater, parece guiado por invisível mão ao nosso lar.

Explicava que os bons Espíritos os inspiram a nos procurar considerando que o espírita, embora feito do mesmo material que caracteriza a Humanidade, em que um ingrediente básico é o egoísmo está consciente de que deve lutar com todas as forças contra essa tendência visceral, exercitando a solidariedade.

Aí está leitor amigo, algo para pensar:

E se aquele que bate em nossa porta foi guiado por agentes do Bem, empenhados em ajudá-lo, a soprar-lhe, pelos condutos espirituais, nos refolhos de sua mente:

            -Bata naquela porta! Ali mora um espírita o cristão de consciência desperta. Ali será respeitada sua dignidade de ser humano e serão atendidas suas carências!

Se tal não acontecer, pouco provável que o nosso irmão reaja com agressividade, como no caso citado, mas certamente nossa consciência, mais cedo ou mais tarde, nos cobrará pela omissão.

Considerando esse manancial divino que é a Doutrina Espírita, a esclarecer que o próximo é o nosso caminho para Deus deveríamos lembrar sempre outro princípio apresentado por Jesus (Lucas 12:48):

A quem muito foi dado, muito se pedirá.

 

Richard Simonetti (Reformador Ano 122 – Fevereiro, 2004/ Nº 2099)

 

 

Venha estudar conosco toda quarta feira as 20h00

 

 

Sugestões para: lzgonzaga@yahoo.com.br


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