segunda-feira, maio 04, 2015
O ASTRAL
O ASTRAL
Ano XXI – Número 254– Distribuição Gratuita – Maio 2015
Órgão Oficial de Informação do Centro Espírita Astral Superior
Declarado de utilidade pública municipal pela Lei 2.076 de 09 de Outubro
de 1986
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O papel da mulher
Sendo a mulher mais finamente desenhada que o homem indica
naturalmente uma alma mais delicada; assim é que, nos meios semelhantes, em
todos os mundos, a mãe será sempre mais bonita que o pai; porque é ela que a
criança vê primeiro; é para a figura angélica de uma jovem que a criança volve
seus olhos sem cessar; é para a mãe que a criança seca seu pranto, apóia seus
olhares, ainda fracos e incertos. A criança tem, pois, uma intuição natural do
belo.
A mulher, sobretudo, sabe-se fazer notar pela delicadeza de seus
pensamentos, a graça de seus gestos, a pureza de suas palavras; tudo o que vem
dela deve-se harmonizar com a sua pessoa, que Deus criou bela.
Seus longos cabelos, que ondeiam sobre seu pescoço, são a imagem
da doçura, e da facilidade com a qual sua cabeça se dobra sem romper sob as
provas. Refletem a luz dos sóis, como a alma da mulher deve refletir a mais
pura luz de Deus. Jovens, deixai vossos cabelos flutuarem; Deus os criou para
isso: parecereis, ao mesmo tempo, mais naturais e mais ornadas.
A mulher deve ser simples em seu vestuário; ela saiu bastante bela
da mão do Criador para não ter necessidade de adornos. Que o branco e o azul se
casem sobre os vossos ombros.
Deixai também flutuar vossos vestidos; que vossos vestidos sejam
vistos estendendo-se atrás de vós, em um longo traço de gaze, como uma leve
nuvem indicando que ainda há pouco estivestes aí. Mas que farão o enfeite, o
vestuário, a beleza, os cabelos ondulantes ou flutuantes, amarrados ou
apertados, se o sorriso tão doce das mães e das amantes não brilharem sobre os
vossos lábios! Se os vossos olhos não semeiam a bondade, a caridade, a
esperança nas lágrimas de alegria que deixam correr, nos relâmpagos que jorram
desse braseiro de amor desconhecido!
Mulheres não temam arrebatar os homens pela vossa beleza, pela
vossa graça, pela vossa superioridade; mas que os homens saibam que, para serem
dignos de vós, é preciso que sejam tão grandes quantos sois belas, tão sábios
quanto sois boas, tão instruídos quanto sois ingênuas e simples. E preciso que
eles saibam que devem merecer-vos, que é o preço da virtude e da honra; não
dessa honra que se cobre de um capacete, e de um escudo, e brilha nas lutas e
nos torneios, o pé sobre a fronte de um inimigo caído; não, mas a honra segundo
Deus.
Homens, sede úteis, e quando os pobres bendizerem vosso nome, as
mulheres serão vossas iguais; formareis então um todo; sereis a cabeça e as
mulheres serão o coração; sereis o pensamento benfazejo, e as mulheres serão as
mãos liberais. Uni-vos, pois, não só pelo amor, mas ainda pelo bem que podereis
fazer a dois. Que esses bons pensamentos e essas boas ações, realizadas por
dois corações amantes, sejam os anéis dessa cadeia de ouro e de diamante que se
chama o casamento e, então, quando os anéis forem bastante numerosos, Deus vos
chamará para junto dele, e continuareis a ajuntar, ainda, as argolas
precedentes, mas na Terra as argolas eram de um metal pesado e frio, no céu
serão de luz e de fogo.
Revista Espírita, dezembro de 1858
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