quarta-feira, maio 11, 2016
O poder da vontade sobre as Paixões Extrato dos trabalhos da Sociedade Espírita de Paris.
O poder da vontade sobre as Paixões
O estudo
da Revista Espírita ,
ainda pouco
conhecida da Comunidade
Espírita deveria ser
colocado em prática ,
pois de nada
adianta as leituras de obras psicografadas, de conteúdo
não conotado com
as diretrizes doutrinárias, de cunho ainda muito débil ,
filosoficamente falando. E ainda com a agravante
no intuito de consolar
e dar esperanças ,
não faz mais
do que entorpecer-nos com ditados
muitas vezes facciosos ,
que nos
levam a autocomiseração ao invés de
alertar-nos suave mais
incisivamente à nossa
responsabilidade . Lembrem-se,
reencarnamos com um
objetivo qual
seja o de ressarcirmos nossas faltas e erros passados ,
quer queiramos ou
não precisamos dar
o testemunho dessa verdade ,
para podermos promover na
escala ascensional das sensações para os sentimentos mais
puros . Ocorre que
nos faz bem e
nos acomodamos nessa idéia de o Pai
a tudo provê e dá amparo .
E em nos
entorpecendo nessas mensagens
consoladoras, deixamos de ater a nossa real responsabilidade .
Abrimos assim uma moratória
de consolos e aconselhamentos que deveriam ser
trocados por
estudos e reflexões .
Vêm-nos a mente o nosso
irmão de outra
época , Sócrates, que
nos legou como
pensamento o seguinte :
“O nosso presente
é herança de nosso
passado , e o nosso
futuro será o que
fizermos em nosso
presente .” Bem nessa altura dos meus
comentários alguém ,
certamente anestesiado pelos consolos ,
dirá mas e quem
não é espírita
e não sabe dessas coisas
de espírito , eu
lhes digo: acreditam então no céu e
no inferno e para
onde querem ir ?
Todos indistintamente
têm inserido nos seu
íntimo as leis
da natureza e não
é privilégio de ninguém
ser inteligente ,
pois Deus nos aquinhoou a cada
um de maneira
idêntica , pois
do contrário não
seria a perfeição . Dito
isto passo
a comentar o texto
encontrado na Revista Espírita
e preciso dizer
de Allan Kardec, pois pasmem já
há outra de nome
igual , mas
de objetivos e orientação
diverso da original ,
se bem que espírita .
O texto em questão relata a situação de um rapaz de 23 anos
que se encolerizava e tinha arroubos
de furacão quando
irado. Chegou a ameaçar de morte
a própria mãe .
Porém , compensava-lhe a inteligência
rara e um
muito bem cuidado ensino ,
que nas horas
de calma demonstrava em atitudes de nobres sentimentos .
Imputavam ao temperamento bilioso sangüíneo ,
nervoso ; resultante
do organismo , o arrastamento irresistível . Quem
concorda? Por que ?
Toda vez
que ocorria tal
fato , logo
depois ele
desfalecia, de forma que
concretizada a ação de assassinato
poderia ser
desculpável pois isso
resultara de um excesso
de bile .
A Revista Espírita
em questão data de julho
de 1863, traz a seguinte consideração de Kardec:
-
Conheceis um remédio para
tal estado
patológico ?
E eu pergunto a quem de direito ,
ou se sinta capaz
de responder , há tal
medicação? Que cure essa anomalia ?
A resposta de Kardec foi: “Não , nenhum , a não ser que , com o tempo , a idade
possa atenuar a abundância
de secreções mórbidas.”
Considero a resposta de alto nível
fisio-psicológico, pois se nos
recordarmos do fato de o organismo ser
prejudicado pelo veneno
das situações coléricas, além de ir
perdendo a sua função
metabólica de fixação
do princípio vital ,
característica do envelhecimento e da falência do organismo
pela morte , nos é lógico .
O jovem que era novo na doutrina e que depois dos primeiros ensinos
que eram de apenas
dois meses, ficou completamente
curado, dada era
a sua aceitação
dos princípios morais
da doutrina . Pois
nem sua
própria mãe
acreditava, na paciência e suavidade no trato
com as pessoas ,
de que era
ele agora
um novo ser .
Diz Kardec: “A certeza
adquirida da vida futura ,
o conhecimento do objetivo
da vida terrena ,
o sentimento de dignidade
do homem , revelada pelo
livre arbítrio ,
que o coloca acima
do animal , a responsabilidade
daí decorrente, o pensamento de que a maior parte dos males
terrenos são
a conseqüência de nossos
atos , todas estas idéias ,
bebidas num estudo
sério do espiritismo ,
produziram em seu
cérebro uma súbita
revolução ; pareceu-lhe que um véu se erguera acima
de seus olhos ;
a vida se lhe
apresentou sob outra
face ; certo
de que tinha
em si
um ser
inteligente ; independente
da matéria se disse: “Este ser deve ter uma vontade , ao passo que a matéria não a
tem, então ele
pode dominar a matéria .”
Daí este outro
raciocínio : “O resultado
de minha cólera
foi tornar-me doente e infeliz ;
e ela não
me da o que
me falta ;
então ela
é inútil , desde
que assim
não progredi, ela
me produz o mal
e nenhum bem me dá em troca ; ainda mais , pode impelir-me a atos
censuráveis e, até criminosos .”
Diz Kardec: “Ele quis vencer
e venceu.”
Kardec considera ainda que um milagre não
teria feito melhor
do que a doutrina
espírita a este
rapaz , e que
poderia escrever
vários volumes
dos casos que
tinha conhecimento .
Considerando o fato ,
podemos concluir que
sendo o Espírito a inteligência
alojada na matéria não
pode esta dominar os desejos
daquele. Caso contrário
teríamos de admitir a matéria
inteligente , o que
nos faria ser
isentos de várias culpas
que são
de nossa responsabilidade ,
e que podemos enumerar
como sendo a da unidade
familiar , a da educação
dos nossos descendentes ,
a dos crimes , a da degeneração
da sociedade , etc.
- Na sua opinião considere esse
fato com
a nossa vida
atual e os vícios
e prazeres sensuais ,
ou de entorpecimento
por estupefacientes ,
como podemos fazer
uma analogia e distinguirmos um procedimento de conotarmos essa idéia de 1863 ao nosso
problema social
atual . Mudou o conceito ?
Para melhor , ou disfarçamos? Será que
existe algo de diferente
da atualidade ; tirando-se somente
o numero de almas na Terra ?
Justifique!
Deixo aqui um pensamento
de Descartes : “Não
há alma tão
fraca que
não possa, sendo bem
orientada, adquirir poder
absoluto sobre
suas paixões .”