sábado, maio 06, 2017
Atendimentos no Centro Espírita
Atendimentos
no Centro Espírita
Um
levantamento realizado em 55 centros espíritas da cidade de São Paulo, em 2014,
aponta que, juntos, os atendimentos espirituais chegam a cerca de 15 mil por
semana (60 mil ao mês). “Este número é muito superior ao atendimento mensal de
hospitais como a Santa Casa, que atende cerca de 30 mil pessoas, ou do Hospital
das Clínicas, com cerca de 20 mil atendimentos”, destaca o médico psiquiatra
Homero Pinto Vallada Filho, professor do Departamento de Psiquiatria da
Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). A média relatada de atendimentos semanais
em cada instituição foi de 261 pessoas.
“Sabemos,
por meio de vários estudos, que a abordagem do tema religiosidade ou
espiritualidade exerce um efeito bastante positivo na saúde de muitos
pacientes. Por isso, podemos considerar a terapia complementar religiosa ou
espiritual como uma aliada dos serviços de saúde”, revela, lembrando que,
geralmente, o paciente não tem o hábito de falar sobre suas crenças religiosas
e muito menos de contar que realiza tratamentos espirituais em centros
espíritas.
Vallada
Filho foi o orientador da dissertação de mestrado Descrição da terapia
complementar religiosa em centros espíritas da cidade de São Paulo com ênfase
na abordagem sobre problemas de saúde mental, de autoria da médica Alessandra
Lamas Granero Lucchetti, apresentada ao Instituto de Psiquiatria (IPq) do
Hospital das Clínicas (HC) da FMUSP em dezembro.
A ideia
foi mostrar a dimensão do trabalho realizado pelos centros, o grande número de
atendimentos prestados e os diferentes serviços oferecidos. Observou-se também
que apenas uma pequena minoria realiza cirurgias espirituais, sendo todas sem
cortes. Na segunda parte da dissertação, a pesquisadora descreve passo a passo
uma terapia complementar espiritual para pacientes com depressão realizada na
Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp).
Centros
espíritas
A autora
realizou um levantamento inicial de todos os centros espíritas da capital
paulista que possuíam site na internet contendo endereço de contato. A médica
chegou ao número de 504 instituições. Neste levantamento, foram considerados
apenas centros espíritas “kardecistas”, ou seja, aqueles que seguem a doutrina
codificada pelo pedagogo francês Hippolyte Leon Denizad Rivail, sob o
pseudônimo de Allan Kardec, e que tem como base as obras O Livro dos Espíritos
(publicado na França em 1857), O Livro dos Médiuns (1861), O Evangelho Segundo
o Espiritismo (1864), O Céu e o Inferno (1865) e A Gênese (1868).
A médica
enviou, via Correios, uma carta registrada a cada um dos 504 centros. Destas
cartas, 139 voltaram devido a problemas como mudança ou erro no endereço. Das
370 que restaram, apenas 55 foram respondidas. “Se considerarmos que essa média
de 60 mil atendimentos mensais representa menos de 15% da totalidade dos
centros existentes na cidade, chegaremos a um número total de atendimentos
muito superior aos dos 55 que participaram do estudo”, destaca Vallada.
Um
questionário foi respondido apenas pelo dirigente ou pessoa responsável do
centro. O material era bastante extenso e continha perguntas ligadas à
identificação e funcionamento do centro, o número de voluntários e de
atendimentos, as atividades realizadas e os tipos de tratamentos, quais os
motivos levavam as pessoas a buscar ajuda, e como é feita a diferenciação entre
mediunidade, obsessão e transtorno psicótico e quais orientações para estes
casos, entre outras questões.
Resultados
Entre os
resultados, foi observado que a maioria são centros já estabelecidos e que têm
mais de 25 anos de existência, sendo o mais velho funcionando há 94 anos e o
mais jovem com dois anos. Em praticamente quase todos, os usuários são
orientados a continuar com o tratamento médico convencional, caso estejam
fazendo algum, ou mesmo com as medicações indicadas pelos médicos.
Os
principais motivos para a procura pelo centro foram os problemas de saúde:
depressão (45,1%), câncer (43,1%) e doenças em geral (33,3%). Também foram
relatados dependência química, abuso de substâncias e problemas de
relacionamento. Entre os tratamentos realizados, a prática mais presente foi a
desobsessão (92,7%) e a menos frequente foi a cirurgia espiritual, (5,5%),
sendo todas sem uso de cortes.
Quanto à
diferenciação entre experiência espiritual e doença mental, realizada com base
em nove critérios propostos pelos pesquisadores Alexander Moreira Almeida e
Adair de Menezes Júnior, da Universidade Federal de Juiz de Fora, a média de
acertos foi de 12,4 entre 18 acertos possíveis. Apenas quatro entrevistados
(8,3%) tiveram 100% de acertos. Entre esses critérios, estão a integridade do
psiquismo; o fato de a mediunidade não trazer prejuízos em nenhuma área da
vida; a existência da autocrítica; e a mediunidade sendo vivenciada dentro de
uma religião e cultura específicos, entre outros.
“Esse
levantamento procurou descrever as atividades realizadas nos centros espíritas
e salientar não só a grande importância social desempenhada por eles, mas
também a grande contribuição ao sistema de saúde como coadjuvante na promoção
de saúde, algo que a grande maioria das pessoas desconhece”, finaliza.
Da Agência
USP de Notícias
http://conexaoespirita.com/numero-de-consultas-em-centros-espiritas-ultrapassa-o-de-grandes-hospitais/