sábado, maio 06, 2017

 

MAIS CUIDADO NA SELEÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA


EDITORIAL

MAIS CUIDADO NA SELEÇÃO DO LIVRO ESPÍRITA

Neste início de século estamos vendo crescer de forma significativa o número de livros autodenominados espíritas.

Diante da avalanche de novos autores e de médiuns desconhecidos, ficam-nos algumas indagações. Se o livro é da própria lavra do escritor, assalta-nos o desejo de conhecê-lo melhor, de saber sua trajetória dentro do Espiritismo, sua formação doutrinária e seus compromissos com a divulgação espírita. Se mediúnico, queremos saber quem é o médium, uma vez que mediunidade, por si só, não é garantia de qualidade e fidelidade à Doutrina Espírita. Importa saber se o conteúdo doutrinário transmitido pelo médium está coerente com os princípios fundamentados por Allan Kardec em suas obras básicas.

As Bienais do Livro que ocorrem nas grandes capitais brasileiras vêm comprovando o vigor da literatura espírita, expresso pelo elevado volume de venda dos livros sob essa rubrica.

Isto é, sem dúvida, motivo de júbilo para nós que abraçamos o Espiritismo. O interesse por nossas obras abrange adeptos de outras crenças religiosas, que se sentem atraídos pelos conteúdos esclarecedores e consoladores presentes na maioria dos livros espíritas.

Obedecendo a um preceito delineado pelo Codificador em “O Livro dos Espíritos” (questão 627), segundo o qual: “O ensino dos Espíritos deve ser claro e sem equívocos, de sorte que ninguém possa alegar ignorância e todos possam julgá-lo e apreciá-lo com razão”, tais livros são, no comum das vezes, obras de fácil compreensão.

Acontece que nem todos os livros ditos espíritas de fato o são. E é para esse ponto que deveríamos atentar. Muita coisa tem sido publicada entre nós que não passa pelos crivos mais elementares do bom senso e da razão. Livros que ferem os princípios doutrinários, que trazem ideias exóticas que jamais passaram pelo critério de controle universal, tão caro a Kardec que buscava sempre nas comunicações recebidas verificar a coincidência da informação proveniente por diferentes médiuns. Outras pecam pelo linguajar vulgar ou pela puerilidade das ideias.

A esse respeito Kardec registra uma advertência do Espírito Santo Agostinho: “Observai e estudai com cuidado as comunicações que recebeis; aceitai o que a razão não recusar, repeli o que a choca; pedi esclarecimentos sobre as que vos deixam na dúvida. Tendes aqui a marcha a seguir para transmitir às gerações futuras, sem medo de vê-las desnaturadas, as verdades que separáveis sem esforço de seu cortejo inevitável de erros” (“Revista Espírita”, julho de 1863).

Em suma: é preciso cautela, uma vez que, por trás de uma publicação pretensamente espírita, pode haver uma orquestração das trevas. Aconselhava Erasto, benfeitor espiritual, em 1863: “É urgente que vos ponhais em guarda contra todas as publicações de origem suspeita, que parecem, ou possam parecer, contrárias a todas as que não tiverem uma atitude franca e clara, e tende como certo que muitas são elaboradas nos campos inimigos do mundo visível ou no invisível, visando a lançar entre vós os pomos da discórdia. Cabe a vós não vos deixar apanhar. Tendes todos os elementos necessários para apreciá-las” (“Revista Espírita”, dezembro de 1863).

Elejamos, pois, os bons livros espíritas.

Por Lucia Moysés

Transcrito informativo SEI – Serviço Espírita de Informações – Fevereiro 2015 – nº 2245

Jornal Espírita de Uberaba – Ano 8 – Nº 105 – Junho/2015

Responsável: Luiz Carlos de Souza

(Trabalhador na seara espírita em Uberaba-MG / Brasil)

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Jornal Espírita de Uberaba – Ano 8 – Nº 105 – Junho/2015

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