terça-feira, maio 09, 2017

 

O poder se torna mais forte quando ninguém pensa.


O poder se torna mais forte quando ninguém pensa.

Sócrates

A questão acima é recorrente, quase concêntrica. As organizações sociais - numa democracia ainda em construção - acabam se convertendo em nichos de concentração de poder. Não é raro ver-se, nas instituições espíritas, um poder central, geralmente construído a partir da hegemonia de grupos ou famílias que se alternam no poder. Há uma proeminência, não raro, dos mais longevos (em idade ou frequência), embora seja, também, comum, o aparecimento de pessoas tanto mais jovens quanto de menor tempo de "estada" na "casa", que ascendem ao poder.



Em muitas situações, há uma "aparência de liberdade", com a verbalização do "queremos saber a sua opinião". Mas isto dura até o momento em que aparece(m) a(s) colisão(ões) com o pensamento do grupo (ou da pessoa) que lidera. Se os enfrentamentos forem mais constantes, a pessoa será "silenciada" (fraternalmente?) ou, até mesmo, "convidada" a se retirar, para "não turbar o ambiente" ou não ser "objeto na mão dos espíritos inferiores".

A tônica é que (ainda) não estamos suficientemente preparados para o desfile das ideais - até mesmo díspares ou divergentes - que poderiam levar, naturalmente, à discussão salutar, ao exame das diversas opções ou alternativas possíveis e à experimentação de novas teorias e práticas, na instituição espírita.

Não! O melhor é fazer silenciar! Em nome da "harmonia" do ambiente, a retórica do movimento espírita (tradicional) é não entrar em discussões, é não fomentar debates, é não abrir espaço para o "novo" (ainda que este novo não seja, necessariamente, tão novo assim, porquanto possa advir de vivências em outras entidades, espíritas ou não). E isso não significa, em absoluto, a "abertura" para "enxertias" ou a "desnaturação" das propostas genuinamente espíritas, fincadas nos fundamentos da Doutrina dos Espíritos.

A "zona de conforto" das instituições é baseada no "domínio do poder" (cargos, funções, presidência) e na oitiva de médiuns ou guias espirituais (?) que direcionam trabalhos e atividades. "A Espiritualidade é que governa", dizem eles.

Quando Kardec mencionava como ideais a existência de grupos pequenos e a (total) afinidade entre os membros partícipes - ideia de "família", tal a sinergia e a existência e o desenvolvimento de laços de afinidade entre os membros de uma instituição - ele acreditava no poder de persuasão e no convencimento pelo debate e pelo consenso (ainda que, em alguns casos, fosse possível a tomada de decisões pelo voto).

Por que o movimento espírita brasileiro se afastou dessas premissas? Talvez pela forte ascendência dos "passados" religiosos de muitos de seus frequentadores, dirigentes, palestrantes e médiuns, ainda acostumados e dependentes de regras (imutáveis?) estabelecidas por alguns e tomadas como balizas de modo tradicional, histórico e cronológico.

Com o aumento do número de pessoas descontentes com o "modus procedendi" dos líderes espíritas, tem-se o natural afastamento destas das instituições, partindo para uma atuação independente e desatrelada de qualquer organização formal. Ou, como se tem visto, a criação de novas entidades aglutinadoras, de modo físico, na forma de "novos centros", ou a reunião para discussão das ideias "progressivas" espíritas em fóruns especiais, em que não haja, apenas, a reprodução dos antigos (e conhecidos) conceitos, sob uma nova "roupagem" ou "maquiagem".

É nisto que acreditamos. Esta nova geração de espiritistas, livres pensadores, independentes e interessados no diálogo permanente, poderá ser o verdadeiro passo para a redescoberta e a progressividade dos conceitos espíritas.



Marcelo Henrique



https://www.facebook.com/groups/Espiritismo.COM.Kardec/permalink/335442713540971/

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