quinta-feira, julho 20, 2017

 

O que é preciso saber sobre o mundo espiritual, antes de chegar lá. E saiba — você vai. Incluindo: “Confissões de um morto”


O que é preciso saber sobre o mundo espiritual, antes de chegar lá. E saiba — você vai. Incluindo: “Confissões de um morto”

 

Por Paulo Henrique de Figueiredo, autor de Mesmer – a ciência negada do magnetismo animal e de Revolução Espírita – a teoria esquecida de Allan Kardec.

Tempo de leitura: 8 minutos

 

O espírito Lammenais, comenta um fato observado comumente no mundo dos espíritos:

 


 “Lá, vemos Espíritos que, muito tempo mesmo depois de sua morte, se creem ainda vivos, vagam ou acreditam se ocuparem de suas tarefas terrestres, isso acontece porque se iludem completamente sobre a sua posição e não se dão nenhuma conta de seu estado espiritual”.

 

Está lá na Revista Espírita de 1863. Já não basta enfrentar as dificuldades do dia-a-dia aqui neste mundo, anos a fio, e o camarada, depois de morto, ao invés de se preocupar com as novidades do além, distraído, continua vivendo o cotidiano da vida que se foi. Certamente, seguirá reclamando da conta da luz, do preço do feijão, dos empresários e políticos corruptos, ou até fará sua fezinha na loteria, sem saber que se ganhar não vai mesmo encher os bolsos. Vagando por aí, ao atravessar as ruas, o indivíduo, sem reconhecer-se como alma penada que é, olha atento para um lado e outro antes de pisar na faixa, morrendo de medo de ser atropelado e ir-se desta para melhor. Ou seja, sem saber que já não é mais desta, não se dá ao trabalho de encontrar coisa melhor, e fica na mesma. Como escapar dessa roubada?

 

O espírito Lammenais, quando vivo foi entre nós um padre liberal muito preocupado com as necessidades do povo, sendo um dos precursores do socialismo. Escreveu o livro Palavras de um crente, contra a ambição dos reis, nobres e governantes opressores, convocando os trabalhadores a se unirem em busca de seus direitos. Para ele, a exploração dos proletários é pior do que a escravidão. Para construir um futuro melhor, seria preciso educar o povo para que reconheça a legitimidade de seus direitos e lutar para abolir os privilégios e monopólios, sem violência, mas com o uso consciente do voto. Quando apontou a necessidade de igualdade política e um rígido controle dos políticos e administradores, na obra O país e o governo, foi parar na prisão por um ano, em 1840. Não é possível conhecer sua história hoje sem imaginar como seria sua atuação em nossos tempos de lava-jato, delações, desmandos e privilégios. Afastou-se da igreja quando se conscientizou dos abusos ao entrar no Vaticano. Foi eleito pelo povo para a Assembleia Nacional em 1848 adentrando à política. Se aposentou em 1851 e, fato inevitável, morreu em 1854, aos 72 anos. É incrível, mas chegou ao mundo espiritual, ambientou-se rapidamente, e alguns anos depois, quando Allan Kardec começou a conversar com os espíritos, estava pronto para ajudar.

 

Pois bem, entre aqueles espíritos que morrem e não sabem disso, há os que acreditavam em vida na ideia materialista do nada. No entanto, como se acreditam vivos, conservam a crença no nada depois da morte, que para eles não chegou! Lammenais explica que isso não será para sempre, chegará o dia que essa vida de alma vagante cansa, se esgota, os detalhes vão revelando o engano, e um dia cai a ficha. Diz ele:

 


“Chega um momento onde, do outro lado o véu se rasga, e onde as ideias materialistas são inaceitáveis”.

 

Lammenais, liberal pensador, depois da morte, demonstra os mesmos valores de vanguarda no outro mundo, analisando a vida espiritual. Suas palavras são até poéticas:

 


“O suplício dos materialistas é lamentar as alegrias e as satisfações terrestres, eles que não podem ainda nem compreender nem sentir as alegrias e as perfeições da alma; e vede o abaixamento moral desses Espíritos que vivem completamente na esterilidade moral e física, de lamentar esses bens que fizeram momentaneamente a sua alegria e que fazem atualmente o seu suplício”.

 

Esse é o mais difícil ponto a ser aceito depois da morte. Toda luta pelos privilégios, pelo esforço em acumular nos cofres dinheiro, joias e bens, perde todo o sentido e valor (isso mesmo, colega, esta frase foi para mencionar os políticos ficha suja). Mas, por outro lado, existem aqueles que são simples no viver, mas soberbos ao desprezar a vida após a morte, divulgando com sorriso nos lábios a ideia do nada, os materialistas das ideias. Lammenais comenta sobre eles, quando se conscientizam da realidade do espírito quando reconhecem estar mortos no além:

 


“é verdade que sem ser materialista pela satisfação de suas paixões terrestres, pode-se sê-lo mais nas ideias e no espírito do que nos atos da vida. São aqueles que não ousam aprofundar as causas de sua existência”.

 

Usando uma figura genial, conclui sobre o destino deles:

 


“Aqueles, no outro mundo, serão punidos do mesmo modo; nadam na verdade, mas não são por ela penetrados; seu orgulho rebaixado fá-los sofrer, e lamentam esses dias terrestres onde, pelo menos, tinham a liberdade de duvidar”.

 

Lembrei-me de um caso interessante, ocorrido com uma amiga evangélica e médium, isso mesmo, mediunidade ocorre com todo mundo, até com quem vai na igreja ou não acredita. Uma noite, começou a ver um clarão de luz em seu quarto, e um cheiro forte de defunto. Ficou espantada e se encolheu na cama, puxando o lençol, e olhando entre os dedos para o vulto que surgia. Era um homem, e curiosamente flutuava, sem que se pudesse ver os pés. Era seu cunhado, Jairo, morto, enterrado e rezado já a algumas semanas.

 

— Maria, sou eu, vim pedir ajuda, morri, mas não consigo subir. — Disse o morto aflito.

 

— Mas que cheiro é esse, Jairo? — Toma coragem e pergunta a cunhada morta de medo (ou será viva de medo?).

 

— Isso é por conta do meu corpo embatumado, que não consigo largar. Mas tenho que lhe contar algo que me atormenta, não para de pensar nisso um minuto que seja. — Explica Jairo, de seu jeito, o tormento que vive. E continua:

 

— Morri e guardei comigo um segredo, que por vergonha nunca contei, mas que agora me deixa aflito. Dois meses passados, fiquei sem saída com uma dívida inconfessável. Não sabia mais o que fazer, pensava no pior, quando lembrei de um dinheiro guardado, era para o aluguel que a minha irmã poupou do salário, como sempre fazia regularmente. Peguei escondido, gastei e me calei, sem saber que dias depois cairia morto assassinado, por uma bobagem de fim de baile. Agora estou aflito e desesperado, pois ela está acusando uma sobrinha, pensando mal da pobre menina, sem cogitar da verdade, que guardo comigo. Maria, você que pode me ver e ouvir, é minha esperança de corrigir esse deslize que me corta o coração, me prende entre os vivos como correntes de um condenado! — Conclui, com a voz tremendo e em lágrimas.

 

Maria já não temia por mais estranho que fosse. Era muito amiga de Jairo, passavam horas conversando no quintal, rindo da vida. Agora era hora de ajudar o amigo, sem se preocupar com explicações ou temores. Além do mais, nunca soube nada sobre o caso relatado. Nem sabia que um dinheiro havia sumido.

 

No dia seguinte procurou a irmã de Jairo, relatando todos os detalhes da aparição, do segredo e da revelação. A moça só chorava. Se o Jairo tivesse pedido, teria entregue o dinheiro, dando bronca, mas ajudava, disse ela. Não precisava fazer isso. E a sobrinha, coitada? Certamente um dia iria jogar na cara da menina e criar um problema de relacionamento sem ter razão. A menina dormia preocupada, sendo acusada sem culpa. E o Jairo, morto que sabia que estava morto, não conseguia viver sua vida de alma, preso entre os vivos, amarrado ao cotidiano nosso de correr atrás do dinheiro para saldar as necessidades deste mundo. Remorso é o maior dos problemas da outra vida. E pode ser por uma coisa que aqui, parece pouco. E a Maria, por segurar o pavor e dar atenção ao fantasma, levando a sério e não achando que era um demônio a ser expulso, mas seu cunhado, vivinho da silva, como nos velhos tempos de conversa na varanda, fazendo um último apelo à amiga.

 

Esse é o maior dos bons conselhos para quem quer chegar bem ao mundo dos espíritos. Sabe aquela coisa que fica martelando na cabeça, a cobrança da consciência, que vem de vez em quando ao encostar a cabeça no travesseiro, não deixando dormir? Resolva o quanto antes. Seja como for: Converse, confesse, retribua, perdoe, peça perdão, ajude, deixe ajudar, faça o que for necessário, com segurança e boa vontade. Mas não deixe para depois. Pois qualquer um de nós está sujeito a não levantar da cama no dia seguinte, pois chegou a derradeira hora. E não há nada mais inevitável do que ir desta! mas que seja então, ir desta… para bem melhor!

 

http://revolucaoespirita.com.br/saber-sobre-o-mundo-espiritual/

 

quarta-feira, julho 19, 2017

 

 Você estaria disposto a empreender este caminho?


 

A SÍNTESE KARDEQUIANA
Maurice H. Jones *

Segundo o filósofo e pacifista britânico Bertrand Russel, a Filosofia é algo que se situa entre a Teologia e a Ciência. Todo o conhecimento definido pertence à Ciência e todo dogma, pertence à Teologia. Mas, entre a Teologia e a Ciência existe um território de ninguém, onde as nossas reflexões, as nossas idéias, os nossos mais simples pensamentos, transitam sem dificuldades, sem formalismos – esta terra de ninguém é uma terra de todos: é o chão da Filosofia.

O mundo, indaga ele, está dividido em espírito e matéria? Se assim é, o que é o espírito e o que é a matéria? Quem está sujeito a quem? Será o espírito dotado de alguma independência? Possui o universo alguma unidade ou propósito e se possui estará ele evoluindo a caminho da sua finalidade? Será que existem mesmo leis da natureza ou só acreditamos nelas devido ao nosso amor pela ordem? Existe alguma maneira de viver que seja mais nobre ou menos nobre? Em que consistiria o modo de vida nobre e como realizá-lo?

Evidentemente não encontraremos respostas a estas questões nos laboratórios. Responder a elas é empenho da Filosofia pois, se nem todas as nossas especulações podem ser respondidas pela Ciência, é também verdade que as respostas confiantes dos teólogos, aceitas no passado, já não nos convencem mais, conclui o pensador na sua “História da Filosofia Ocidental”.

Seria o Espiritismo uma resposta inteligente a estas profundas questões de ordem filosófica? Vários elementos que estruturam o pensamento espírita respondem positivamente a esta indagação e o credenciam como um modo moderno, ventilado e revolucionário de percepção do homem e do mundo, bem como precioso instrumento pedagógico para o autoconhecimento e controle racional da própria evolução.

O grande problema da ética como estudo racional da moralidade se resume em saber se é desejável ser bom e, em caso afirmativo, como pode ser o homem persuadido a ser bom. A esta intrigante questão o Espiritismo responde com a idéia da evolução e, sobretudo, com os princípios da reencarnação e da causalidade que oferecem substrato racional riquíssimo para a adoção consciente de um modelo comportamental fundamentado na tolerância racial e social, configurando assim a ética natural, sonhada por Sócrates, capaz de construir um sistema de moralidade independente de credos teológicos.

Na visão do filósofo J.Herculano Pires, O Livro dos Espíritos, veículo privilegiado destas idéias inovadoras, mesmo não tendo sido elaborado em linguagem técnica e nem observe as minúcias da exposição filosófica, revela todo um complexo e amplo sistema de filosofia. É, portanto, o arcabouço filosófico do Espiritismo.

Como se vê, Kardec não foi um filósofo na acepção mais usual do termo, nem exatamente um cientista. Foi, isto sim, e acima de tudo, um extraordinário pedagogo, qualificação essencial para a compreensão e propagação do Espiritismo até os dias atuais.

A precoce percepção de que somente a educação e o amor poderiam encaminhar solução para os problemas sociais e morais do seu tempo fez de Kardec herdeiro natural de uma magnífica linhagem de educadores que começa, no século XVII, com Comenius, o pai da didática moderna, passa, no séc. XVIII, pelo filósofo J.J. Rousseau e seu “Emílio”, terminando no grande e sábio mestre da educação como ato de amor, J.H. Pestalozzi.

Como um estuário das correntes de idéias mais generosas e libertárias que irrigaram a cultura da Europa desde a Renascença, Kardec chegou à maturidade equipado, moral e intelectualmente, para a grande tarefa de sua vida: a construção de uma síntese conceptual do mundo moderno, a Codificação Espírita, centrada na idéia da evolução e na realidade e primado da vida espiritual.

Esta extraordinária façanha, resultado do trabalho de homens encarnados, assessorados por homens desencarnados, tornou-se possível, no tempo e no espaço, pela feliz conjugação de fatores políticos, sociais, econômicos e culturais aliados à sensibilidade, lucidez e coragem do mestre educador Hippolyte Léon Denizard Rivail [...].

Segundo muitos historiadores, o Renascimento e a Reforma Luterana são as duas mais importantes nascentes da história moderna. Uma libertou o espírito e embelezou a vida, oferecendo ao homem o direito à felicidade aqui na terra; a outra estimulou a crença e o senso moral. As idéias contidas no bojo destes movimentos, propagadas pelas facilidades oferecidas pela descoberta de Gutenberg e dinamizadas pela revolução conceptual produzida pela descoberta da América e pela revelação de Copérnico, varreram a Europa a partir do final do Séc. XV e início do Séc. XVI, desencadeando uma irresistível avalanche de mudanças, crises e conflitos ideológicos num mundo cansado do repouso medieval e ansioso pela descoberta de novos mundos, novos caminhos, novas idéias.

No Século XVIII o Renascimento cede espaço para o Iluminismo que, tendo razão e liberdade como estandarte, enfrenta a superstição e a opressão, produzindo significativa redução de importância da Igreja e influindo por seus princípios na independência dos Estados Unidos e na Revolução Francesa, fatos que, entre outros, assinalam o colapso da França feudal, uma importante ampliação das liberdades civis e a transição da Idade Moderna para a Contemporânea.

Se acrescentarmos a este sintético painel o crescimento exponencial da população a partir de 1750 em função de avanços na produção agrícola, higiene e medicina e mais a revolução industrial iniciada na Inglaterra provocando intenso deslocamento das populações rurais para as cidades com todo o conjunto de conseqüências sociais, políticas e econômicas, encerraremos o século das luzes já experimentando um certo cansaço da arrogância racionalista e criando espaço para o surgimento do Romantismo que valorizando o sentimento caracteriza o século XIX, o século de Kardec.

O nascimento em 1804 e a formação intelecto-moral do futuro Codificador do Espiritismo ocorre em plena era de Napoleão que, no mesmo ano é coroado Imperador e promulga o Código Civil dos Franceses ou “Código de Napoleão”, de importância decisiva no direito ocidental e, conforme o próprio Imperador, sua maior obra.

Kardec era um homem da sua época, cosmopolita, sensível, arguto e naturalmente aberto às influências mais nobres que a história e a experiência lhe ofereciam. Enquanto aprimorava sua formação no Instituto de Pestalozzi em Yverdon e, depois, na vida profissional, como educador, outros acontecimentos ocorriam, com enorme significado e presença na sua futura e máxima obra.

Além dos importantes desdobramentos geopolíticos do período napoleônico, podemos identificar as revolucionárias teorias evolucionistas de Lamark e Darwin de enorme repercussão, a Filosofia Positivista de Auguste Comte e, até, o Manifesto Comunista de Marx e Engels, produto da agitação social da nova classe operária.
Neste cenário imponente e desafiador, buscava-se afanosamente um novo modelo conceptual para o tempo novo que surgia, pois os paradigmas vigentes haviam esgotado a capacidade de oferecer segurança e identidade. É então que, já maduro e sensível às inquietações do seu mundo e à convocação do mundo espiritual, Kardec aceita a responsabilidade de liderar o grande esforço para construção de uma nova visão de homem e de mundo, humanista e dinâmica, na qual razão e sentimento pudessem, harmonicamente, buscar a verdade.

E assim, como uma flor tardia da primavera iluminista, nascida no solo adubado pelo romantismo de Rousseau e Pestalozzi, surgiu o Espiritismo que, com seu “humanismo espiritocêntrico”, busca superar, dialeticamente, o conflito entre o pensamento medieval centrado em Deus e o humanismo organocêntrico da renascença e iluminismo. A cosmovisão inovadora e sintética oferecida por Kardec ao mundo nascia, robusta e perturbadora, desafiando os paradigmas senis e anunciando, no dizer do físico inglês Oliver Lodge, “uma nova revolução copérnica”.

* Maurice H. Jones, ex-presidente da Federação Espírita do Rio Grande do Sul; ex-presidente do Centro Cultural Espírita de Porto Alegre.

quinta-feira, maio 25, 2017

 

REVISTA VERDADE E LUZ


REVISTA VERDADE E LUZ

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A segunda época da revista Verdade e Luz, hoje praticamente esquecida, ajuda a recuperar parte importante da história do Espiritismo e a corrigir enganos cometidos na biografia do extraordinário espírita conhecido por Batuíra.

O jornal Verdade e Luz, fundado em São Paulo no final do século XIX pelo português Antonio Gonçalves da Silva, apelidado de Batuíra, teve uma vida e uma história considerável, dividida em duas partes: a primeira época, em que a publicação começou como jornal e quase ao final desse período transformou-se em revista, e a segunda época, quando retornou à circulação após um período de interrupção, como revista de boa qualidade. É desta segunda época que vamos falar, uma vez que ela se encontra esquecida e não conta com registros capazes de serem compulsados pelos pesquisadores e historiadores.

Tenho em mãos 36 exemplares da revista Verdade e Luz, segunda época, correspondendo aos anos 1922, quando foi retomada depois de quatro anos sem circular, até 1926. Tudo indica que saiu do cenário ao final de 1926 e não mais retornou. Seu diretor, Pedro Lameira de Andrade, após esse ano, seguiu como presidente da Instituição Verdade e Luz até a data de sua desencarnação, ocorrida em 1937.

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O colégio Allan Kardec, fundado por Eurípedes Barsanulpho, foi tema de várias reportagens na revista Verdade e Luz, acompanhadas de fotos como esta.

Os exemplares da revista Verdade e Luz são uma fonte permanente de curiosidade e não resta dúvida que o material nela contido atende com sobra ao desejo de saber sobre o pensamento e os fatos do período em que a revista circulou, fatos estes não apenas relacionados a São Paulo, mas também ao panorama doutrinário nacional. Vejamos, portanto, alguns deles.

O primeiro número da 2ª época aparece com a data de 3 de maio de 1922, interrompendo, assim, o período de quatro anos em que a revista teve sua publicação interrompida. Agora sua periodicidade é quinzenal e ela ressurge como órgão não apenas da Instituição Verdade e Luz, mas, também, da Associação Espírita São Pedro e São Paulo, à qual Lameira de Andrade estava ligado. Mais tarde, por razões não conhecidas ainda, a revista se torna órgão oficial apenas da Associação. Em novembro de 1923, ela passa a circular mensalmente, premida pelas dificuldades financeiras, fato que se mostrará constante a partir de então. E em janeiro de 1926 a periodicidade se torna incerta.

Neste primeiro número aparece uma nota à página 19 com o seguinte título: “Seria fluídico o corpo de Jesus?” Lameira de Andrade informa que está ultimando a publicação de um livro de análise do propalado corpo de Jesus no qual se conclui que esse corpo era carnal e não fluídico, como desejam os roustainguistas. No período de preparação do meu livro “O corpo fluídico”, em 1981/1982, de posse dessa notícia, envidei esforços para encontrar o referido livro, sem sucesso. A própria revista jamais deu notícia sobre o lançamento desse livro, o que leva a crer que não tenha sido publicado. No entanto, era evidente o desgosto de Lameira de Andrade com aqueles que defendiam a tese roustainguista, tanto assim que em diferentes números da revista ele retoma o assunto de forma crítica.

Inúmeros articulistas conceituados passaram a escrever na Verdade e Luz nesta sua 2ª época, já a partir de 1922. Entre eles estão: Pedro de Camargo, assinando com o pseudônimo de Vinícius, Vianna de Carvalho, Pery de Campos, Mariano Rango D’Aragona, que manteve uma seção onde escrevia em italiano; Romeu do Amaral Camargo, Aura Celeste (com textos próprios e psicografados, pois era, então, médium), além de outros.

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O número 4, de 18 de junho de 1923, tem grande parte de suas páginas, a capa, inclusive, dedicadas a um fato que ganhou destaque na imprensa em geral e nos meios espíritas. Trata-se da conversão do conhecido escritor e poeta Coelho Netto ao Espiritismo. De início, a revista reproduz o texto escrito e assinado pelo próprio escritor, publicado pelo Jornal do Brasil, edição de 7 de junho de 1923, no qual o literato revela sua conversão. Na sequência, aparece um outro texto da redação com comentários entusiasmados sobre esse fato. Na mesma edição, a revista reproduz um outro texto literário assinado por Coelho Netto, fato que se repetiria nas edições posteriores. Finalmente, em dezembro a notícia de que naquele mês Coelho Netto estaria fazendo uma conferência no Teatro Municipal de São Paulo, cuja renda seria revertida a favor do Abrigo Batuíra, sob o título “A vida além da morte”, conferência esta publicada posteriormente na forma de opúsculo.

http://www.expedienteonline.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Sorteio-Batuíra-baixa-203x300.jpgAs dificuldades financeiras enfrentadas pela Instituição Verdade e Luz e seus projetos de assistência social faziam com que Lameira de Andrade e seus pares recorressem a diversos expedientes para vencer as dificuldades. Um dos meios que se tornaram comuns, como se observa das diversas leituras no acervo da revista Verdade e Luz, era a promoção de rifas e sorteios, muitas vezes com prêmios valiosos. A edição de setembro de 1924 é um exemplo disso, como se pode comprovar no anúncio publicado na 3ª capa da revista, na imagem ao lado.http://www.expedienteonline.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Aviso-suspensão-revista-modificada-baixa-226x300.jpg

 

O provável último número da revista Verdade e Luz foi publicado em outubro de 1926. A princípio, não há indícios de que a revista estava encerrando sua publicação. Entre as notícias, chama a atenção aquela que informa, em cinco páginas, sobre a desencarnação do conhecido líder espírita Vianna de Carvalho, fato ocorrido no dia 3 daquele mesmo mês, estando Vianna a bordo do navio Íris, no qual havia embarcado em Recife, onde então residia, em direção ao Rio de Janeiro, para tratar de uma grave doença que o debilitava. Porém, um encarte (reproduzido ao lado), colocado de última hora, avisava sobre a suspensão da publicação da revista e informava que depois de organizada a recém-fundada Federação Espírita do Estado de São Paulo, um novo órgão de imprensa certamente surgiria. Mas como a Federação parece não ter vingado, a revista seguiu lhe os passos

Eduardo Monteiro, seus livros históricos e a revista Verdade e Luz

Aqui é preciso fazer um registro e algumas correções. Eduardo Carvalho Monteiro, com quem dividi uma longa amizade e a coautoria de três livros, escreveu duas obras de resgate da figura sem par de Batuíra. Uma delas é a biografia desse português extraordinário; a segunda é o livro onde narra a história da imprensa espírita em São Paulo nos cem anos anteriores à edição do livro. Eduardo escreve que o jornal Verdade e Luz é um dos pioneiros da imprensa espírita em terras paulistas, uma vez que foi lançado no ano de 1890, mas não registra, em nenhum dos dois livros, este fato: Verdade e Luz teve duas fases, sendo a segunda sob o comando do advogado Pedro Lameira de Andrade, cujo marco inicial é o ano de 1922. Lameira de Andrade assumiu a direção da Instituição Verdade e Luz, fundada por Batuíra, no ano de 1921 e a comandou até 1937, conseguindo recuperá-la de sua quase extinção. Eduardo registra apenas a primeira fase do jornal. A pergunta é: por que?

http://www.expedienteonline.com.br/wp-content/uploads/2016/04/Capa-Sinal-de-Vida-sombra-205x300.jpgVamos à história desde alguns anos antes. Em 1993, eu havia combinado com meu amigo e editor Arnaldo Rodrigues, da Editora EME, o lançamento do livro “Sinal de Vida na Imprensa Espírita”, no qual resgatava fatos importantes do Espiritismo ocorridos durante os 14 anos em que militei como membro da equipe de redação do jornal Correio Fraterno do ABC (hoje apenas Correio Fraterno), editado então na cidade de São Bernardo do Campo. Eduardo me procurou e ofereceu-se para co-assinar o livro, incorporando ao mesmo um texto de resgate histórico intitulado “70 anos de imprensa espírita em São Paulo”, o que acabou acontecendo. Este mesmo texto serviu de base para o livro que posteriormente publicou sobre os “100 anos da imprensa espírita em São Paulo”, mas nesse livro o registro da história da segunda época da revista Verdade e Luz só aparece como menção e complemento à citação do advogado Pedro Lameira de Andrade, que foi o continuador da revista. Nenhuma informação mais específica e objetiva, apesar da importância da revista para aquela ocasião, bem como pelo fato de ser ela a continuidade do projeto de divulgação espírita empreendido por Batuíra.

Quando Eduardo comunicou-me a intenção de ampliar o texto dos 70 anos para os últimos 100 anos da imprensa espírita em São Paulo, coloquei em suas mãos todos os exemplares que possuía da segunda época da revista Verdade e Luz. Pouco antes de publicar o livro, Eduardo devolveu-me, a meu pedido, aqueles exemplares, pois eu desejava continuar os meus estudos sobre o material contido naquela publicação. Minha surpresa foi grande ao constatar que o livro do Eduardo não fazia nenhuma menção às revistas, deixando, portanto, um vazio histórico aí.

http://www.expedienteonline.com.br/wp-content/uploads/2017/05/capa-Batuíra-200x300.jpgA mesma surpresa tive quando compulsei o livro biográfico “Batuíra, Verdade e Luz” escrito pelo Eduardo. Também ali não havia menção à segunda época da revista. E a pergunta que me fiz continua sem resposta, ou seja, por que razão Eduardo omitiu a existência dessa fase da revista? Terá havido um extravio dos exemplares em sua própria biblioteca quando da pesquisa e escritura dos referidos livros? É possível, uma vez que Eduardo sempre foi muito meticuloso em seus estudos e anotações. Um fato, porém, é indiscutível: Eduardo não chegou a compulsar os exemplares que lhe emprestei, senão não teria deixado passar uma grande quantidade de informações e fotos sobre o seu biografado e a instituição que ele fundou, informações essas publicadas nos diversos números da revista, algumas cruciais para a compreensão da vida e da obra de Batuíra.

Sobre a revista Verdade e Luz, Eduardo informa apenas o seguinte no livro referido: “Não sabemos se o periódico circulou após o desencarne de Batuíra, mas tudo indica que não, por muito tempo, face às dificuldades financeiras encontradas por seus sucessores. Em dezembro de 1922, já sob o comando de Lameira de Andrade, voltou a circular quinzenalmente em formato de revista”. A verdade, porém, é que os registros indicam que a revista deixou de circular somente em 1918, ou seja, nove anos depois da desencarnação de Batuíra, sendo que quatro anos após, em 1922, Lameira de Andrade retomou a sua publicação.

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Prédio adquirido para instalação do Abrigo Batuíra, fundado na administração Lameira de Andrade

As notas que Eduardo apresenta sobre a Instituição Verdade e Luz do período pós-Batuíra contêm lacunas, especialmente em relação à administração de Lameira de Andrade, sobre quem Eduardo parece não ter conseguido material mais consistente, material que a revista em sua segunda época já fornecia, mas que ele, infelizmente, não percebeu. Por exemplo, foi na administração de

Lameira de Andrade que a Instituição adquiriu um grande imóvel na Capital paulista (e não em Poá, como equivocadamente registra Eduardo) destinado à instalação do Abrigo Batuíra inaugurado em 1º de abril de 1923. A edição da revista de 18 de abril de 1923 traz matéria sobre o fato, acompanhada de fotos do imóvel e da transcrição da ata de fundação, onde se encontra registrado, inclusive, que o imóvel estava localizado na rua Scuvero, 28, Cambuci.

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Equipe da Instituição que comandou a entrega de cestas de alimentos no Natal de 1924. Ao centro, sentado, Pedro Lameira de Andrade.

Foi, portanto, Lameira de Andrade que deu vida ao projeto do Abrigo e não a sua sucessora na presidência da Instituição, Maria Janoni Novazzi, como entendeu Eduardo no livro biográfico de Batuíra. Neste, Eduardo informa que a nova presidente recebeu a Instituição muito endividada e a reergueu, fundando, inclusive, o Abrigo Batuíra, mas – note-se – esta senhora entrou para a Instituição apenas em 1934, como Eduardo, ele próprio, registra, e assumiu a presidência em 1936, porém, o Abrigo Batuíra foi fundado em 1923, sob a administração de Lameira de Andrade.

A Federação Espírita de São Paulo e sua fundação em 1926.

A data de fundação da atual Federação Espírita do Estado de São Paulo (Feesp) é julho de 1936, mas é certo que dez anos antes, ou seja, em 1926 ela foi dada como fundada. A notícia completa se encontra na edição da revista Verdade e Luz de janeiro/fevereiro de 1926 e na subsequente, que corresponde aos meses de março a junho do mesmo ano (veja-se que aqui a revista já passa por problemas de periodicidade). A verdade é que a intenção de criar uma instituição desse porte já vinha sendo amadurecida há alguns anos e a revista dirigida por Lameira de Andrade, curiosamente, mantinha desde o início uma coluna permanente e não assinada com o título de “Orientação aos centros”.

http://www.expedienteonline.com.br/wp-content/uploads/2017/05/Fundação-da-Federação-São-Paulo-modificada-211x300.jpgA primeira notícia, que ocupa nada menos do que seis páginas e meia, dá conta de que a fundação estava marcada para uma data próxima e a matéria tem por título “Mais uma pedra”. Vem acompanhada da reprodução de uma extensa circular enviada aos centros espíritas, na qual são elencadas razões que justificam a iniciativa, é apresentada a comissão encarregada da organização da assembleia e é feita a convocação para os centros participarem da fundação da nova instituição. A circular é datada de 24 de fevereiro de 1926 e a comissão de oito membros foi assim constituída: Dr. Pedro de Monte Ablas, Luiz M. Pinto de Queiroz, Prof. Saturnino Barbosa, Dr. Pedro Lameira de Andrade, Cel. Turíbio Guerra, Dr. Augusto Militão Pacheco, Mariano Rango D’Aragona e Dr. Romeu do Amaral Camargo.

Na edição seguinte, com o título “Fundação da Federação Espírita do Estado de São Paulo”, a revista informa: “Conforme noticiamos no nosso número passado, foi, no dia 28 de março, unanimemente fundada a Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinada a incentivar e exemplificar a solidariedade entre todas as sociedades espíritas…”. A ideologia norteadora da nova instituição pode ser vista neste parágrafo: “A Federação Espírita do Estado de São Paulo não é uma associação com[o] todas as congêneres existentes no Brasil, sem exceção; é uma “associação de associações”, é uma “síntese de associações”, é o “centro”, o “pivô”, a “fonte”, a “fortaleza”, o “facho” onde as sociedades adesas encontrarão o amparo, a bússola, a luz, a vida enfim. Trata-se de uma crítica ao modelo então dominante de federações criadas e dirigidas por indivíduos, tendo como exemplo a própria Federação Espírita Brasileira, já à época pouco operante e muito contestada. A assembleia de fundação foi dirigida por Pedro de Camargo, o Vinícius, e aprovou a primeira diretoria com mandato de um ano de duração, tendo na sua presidência o Dr. Pedro de Monte Ablas, elegendo, também, um Conselho Deliberativo composto por quarenta membros, sendo 25 individuais e 15 coletivos (centros Espíritas). Dentre os membros individuais aparece o nome do famoso médium Carlos Mirabelli e entre os sócios coletivos o do Centro Espírita Fraternidade, de Jundiaí. Por fim, a assembleia contou com a presença de 62 pessoas, 27 centros espíritas representados, além de 4 veículos da imprensa espírita.

Detalhe interessante: como registrado anteriormente, a revista Verdade e Luz provavelmente, encerrou suas atividades em outubro de 1926, conforme se lê no encarte reproduzido acima. Mas esse mesmo encarte lança dúvidas sobre a Federação Espírita do Estado de São Paulo ao registrar que uma nova assembleia seria realizada e precisaria contar com maior número de centros espíritas e de pessoas, a fim de viabilizá-la. Mais abaixo, lê-se que a Federação teria como seu órgão de imprensa oficial o jornal Diário da Noite, que então era publicado na capital paulista. Pode-se, pois, concluir que nem a revista Verdade e Luz voltou a ser publicada, nem a Federação Espírita conseguiu de fato concluir sua fundação, uma vez que não se teve mais notícias dela e, posteriormente, em julho de 1936, dez anos depois, ela seria novamente fundada e em seus documentos não há menção à existência de nenhuma outra criada anteriormente. As causas desses acontecimentos desafiam a paciência dos historiadores e eventuais interessados nos fatos relacionados aos caminhos do Espiritismo brasileiro.

Um movimento chamado Constituinte Espírita Nacional

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Plenário da Constituinte Espírita Nacional realizada no Rio de Janeiro e da qual resultou a Liga Espírita do Brasil.

Desde o momento em que surgiu a ideia, em 1925, do movimento para realizar uma Constituinte Espírita Nacional a revista Verdade e Luz emprestou inteiro apoio e abriu suas páginas para exaltar aquele pleito, que parecia de acordo com a forma de pensar de Lameira de Andrade e seus companheiros, além dos propósitos que alimentavam de dotar o estado de São Paulo de uma Federação Espírita.

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Nesta foto da revista Verdade e Luz, a mesa diretora na instalação da Constituinte Espírita Nacional, sob a presidência do Desembargador Gustavo Farnese.

Na edição de novembro de 1925, a revista Verdade e Luz informa sobre o recebimento da circular enviada pela comissão organizadora e reproduz o inteiro teor do documento, registrando, ao final da notícia, a intenção de participar do evento, o que de fato ocorreu através de seu diretor, Lameira de Andrade.

Na edição seguinte, de dezembro daquele ano, a revista dá a notícia de que a FEB havia recusado o convite que lhe fora feito para comparecer e participar da Constituinte, reproduzindo o inteiro teor da carta enviada à comissão por aquela instituição e, em seguida, reproduz também o texto-resposta da comissão à FEB. Ainda nessa edição, a revista reproduz a entrevista sobre a Constituinte, publicada no “O Jornal”, edição de 4 de dezembro de 1925, dada por Nóbrega da Cunha.

Na edição seguinte, de janeiro-fevereiro de 1926, a revista prossegue com a repercussão do evento, mas registra sua crítica ao fato da comissão organizadora não haver ainda publicado o programa dos trabalhos e o anteprojeto da Liga Espírita do Brasil, cuja fundação estava prevista para aquele congresso. Reproduz, também, uma matéria extensa publicada pelo Jornal Espírita, de Porto Alegre, em torno da Constituinte e sua oportunidade, bem como uma entrevista publicada pelo jornal O Globo, feita com o senhor Jarbas Ramos, diretor do jornal Brasil Espírita. Nesta entrevista surgiu a menção à questão defendida por Roustaing do corpo fluídico de Jesus, fato este que levou Lameira de Andrade a acrescentar uma nota esclarecedora do assunto, concluindo pela tese do corpo material, físico de Jesus.

A reportagem sobre a realização da Constituinte, na cidade do Rio de Janeiro, foi publicada na edição de março-junho de 1926 e é antecedida por um depoimento de Lameira de Andrade, onde registra a sua surpresa pelo clima de entendimento e fraternidade que encontrou entre os espíritas presentes, uma vez que, disse Lameira, o comum nesse tipo de reunião entre espíritas é perceber um vazio de ideias e a presença de grupos sectários. Segue-se a reportagem com mais de 18 páginas, com pormenores sobre o desenrolar do evento, a criação da Liga Espírita do Brasil e os passos futuros esperados para a nova instituição.

A Constituinte Espírita Nacional não se realizou pacificamente e Lameira de Andrade não deixa de registrar o fato. Não teve apenas a oposição da FEB, que temia perder seu poder com a fundação da Liga Espírita do Brasil, mas de alguns outros setores do movimento espírita. Por exemplo, Cairbar Schutel publicou em O Clarim, jornal que publicava em Matão, matéria sobre a realização da Constituinte em que a desabonava e, mais, dizia que ela fora desorganizada e confusa, valendo-se disso para dizer: “folgamos imensamente ter nos precavido de tomar parte em tão heterogênea reunião”. Mas Cairbar se utilizou de informações chegadas até ele para emitir seu parecer sem estar ele próprio presente como testemunha ocular da história e isso levou Lameira de Andrade, que era seu amigo, a publicar nessa mesma edição da revista, matéria assinada por Eolia V. Doria, na qual esse autor rebate Cairbar a partir da citação do dito: “contra fatos não há argumentos”, elencando uma série da argumentos contrários, inclusive a opinião daqueles que participaram do evento e os números dos presentes e representados, entre estes mais de 300 centros espíritas do Brasil. Argumenta, também, que à época a FEB era desleixada em relação ao movimento federativo e recebia críticas de todos os lados por isso. Vale-se de informações publicadas pelo então 2o. Secretário da FEB, Guillon Ribeiro, que dava conta de que só haviam 49 centros espíritas registrados como filiados, então, acrescentando que mesmo assim o registro não era confiável, pois estava envelhecido e alguns desses centros já não mais existiam. Assim, o próprio Guillon reconhecia a incompetência da FEB para liderar o movimento, vindo daí a ideia da realização da Constituinte e com esta a criação da Liga Espírita do Brasil para realizar o trabalho que a FEB não conseguia.

A título de informação, a Liga Espírita do Brasil também não logrou êxito nesse campo e foi, anos depois, transformada em federativa do Rio de Janeiro, mas essa é uma outra parte da história. Para informações mais detalhadas sobre a Constituinte e a FEB, clique aqui.

http://www.expedienteonline.com.br/documentos/revista-verdade-e-luz/

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